E nessa altura logo lhe pergunto

Estava eu a arrumar a minha caixa de email quando me deparei com um contacto telefónico que ainda não cuidei de gravar no telemóvel.

E dei comigo a olhar para o visor do equipamento. “Nome”. E eu: “Visconde”. “Apelido”. E eu: “Viladoconde”.

Abro aqui um pequeno parêntesis. (Não vale a pena insistirem que eu não vou mesmo fornecer a hotline Visconde. Mesmo que seja a própria Soraia Chaves a pedir, desesperada por se ver preterida por um macho de tal calibre. Mesmo que a Soraia Chaves faça aquele olhar de cachorra abandonada e o beicinho e se incline ligeiramente para eu não poder deixar de reparar no decote e me faça promessas e propostas indecorosas ao ouvido com voz de anúncio da Optimus. Não dou). E fecho agora o parêntesis que não é pequeno mas foi o que me apeteceu.

Fiquei um bocado a olhar para aquilo. Então mas eu não sei o nome do homem? Ando nisto com ele há anos, pois os nossos caminhos foram-se cruzando de raspão por essa blogosfera fora, sou parceiro dele aqui no Cabra e não sei o nome e o apelido do gajo?

Claro que o senhor Visconde sabe tão bem como eu que não queremos saber do nome de gajos para nada, basta uma alcunha e tá a andar. E por isso até pode parecer normal que nenhum de nós precise de identificação para uma porção das nossas vidas se encontrar neste ponto de intersecção em que o Cabra se tornou.

E aqui pára o abichanamento (esta tem direitos de autor do próprio e ilustre colega).

 

O que me traz aqui é precisamente a constatação (confirmação?) de que podemos muito bem passar horas na palheta acerca de uma data de coisas aqui nas caixas e acompanharmos a evolução uns dos outros em muitos aspectos que nem nos ocorreria abordar fora deste contexto sem sequer sabermos o nome dos interlocutores.

Isso pode soar estranho. A mim soa mágico. Pelo que implica da nossa capacidade de comunicação e, acima de tudo, pela empatia que conseguimos gerar apenas com as palavras que aqui se arrumam algures. Pedaços de nós. Maior o pedaço quanto maior a emotividade, o desbocamento ou apenas o grau de timidez e/ou de privacidade a que cada um/a de nós se permita aqui, em html.

E quando me deparo com um post como o que podem apreciar logo a seguir ao que está abaixo deste e percebo que por detrás do enigmático Visconde de Viladoconde e lado a lado com o pintas cujo jogo de pernas é bem capaz de trocar alguns olhos na finta de corpo (uma categoria específica de macho alfa que somos ensinados de pequenos a ter sob a mira quando as nossas piquenas revelam apetência para a leitura), dizia eu que a par com essas características que a gente vai descortinando no perfil existe um fulano, cujo nome desconheço, que das duas uma: ou é um ganda músico (o que não deslustra em qualquer macho digno desse nome) ou tem mesmo a sensibilidade necessária, quase feminina (ambos sabemos que também não nos caem os parentes na lama), para a partir de um momento excepcional conseguir experimentar e descrever as emoções que o seu post desenha.

Tudo isto para dizer que a blogosfera é um espectáculo e que um destes dias vou mesmo insistir numa reunião de trabalho (chamemos-lhe assim porque homens como nós nunca “saem” uns com os outros) lá no Club ou numa esplanada baril onde um gajo possa beber umas bejecas, trocar uns pontos de vista e usufruir do silêncio cúmplice e sorridente que se instala entre nós gajos a sério quando a vista que passa no horizonte até calha ser muita boa.

Notas explicativas do poster lá de baixo, aquele da rapariga Triumph

O problema do poster da menina da Triumph é que as pessoas não percebem a quem se destina a campanha. Se os senhores da Triumph quisessem que as pessoas interiorizassem uma mensagem de qualidade do produto, sensível ao toque, do melhor algodão criteriosamente misturado com elastileno, não teriam escolhido a Helena Coelho. Se pretendessem dirigir a publicidade às utilizadoras finais do produto (mais ao Zé Castelo Branco), teriam escolhido outra que não a Helena Coelho.

Meus caros, as mulheres não compram lingerie Triumph, as mulheres compram lingerie da Victoria Secret quando podem ou quando alguma amiga vai a Nova Iorque ou compram na Intimissimi do Freeport em lotes de três pares, com oferta de umas meias de renda. Não me perguntem como é que eu sei isto, é assumir que eu sei do que falo quando falo de toque de lingerie e não se fala mais nisso.

A campanha, meus caros, é para os rapagões de camisa havaiana com os três botões de cima desabotoados, a deixar antever a senhora de Fátima entre o peito farfalhudo, óculos escuros Paco Rabanne dependurados no primeiro botão abotoado da camisa, um suave perfume de Aqua Velva a anunciá-los. Estes rapazes, meus caros, têm lá em casa uma Cátia Vanessa, cabelo louro platinado, sobrancelhas pretas e um ligeiro toque de lexívia no ar. E os senhores da Triumph, não me perguntem como é que eu sei isto, não pretendem outra coisa senão que os rapagões interiorizem a mensagem subliminar nas suas cabecinhas, e a mensagem, meus caros não é nem mais nem menos senão "em dispendendo para mais de quarenta euros num conjunto Triumph, as Cátias Vanessas lá de casa, desgrenhadas e rabugentas, transformam-se em Helenas Coelho, deitadas a vossos pés, a melena a tapar-lhes meio rosto, a anunciar uma noite tresloucada".

E os rapazes compram, fazem o trabalho deles. As Cátias Vanessas? Ora, as Cátias Vanessas nunca fazem a parte delas, qualquer um sabe que não é da natureza das Cátias Vanessas proporcionar, digamos, noites tresloucadas.

Mestre João André

Às vezes, muito de vez em quando, emociono-me. Bem sei, não precisam de me estar sempre a dizer, bem sei que me devia emocionar mais. Com a chegada da primavera, com o pôr do sol, essas coisas. Houve um tempo em que me emocionava mais, mas agora não. Talvez volte esse tempo de me emocionar, sei lá.

O que eu sei é que, quando me emociono, é porque a coisa é mesmo séria. Ontem emocionei-me, estava eu naquela fase em que a rotação do motor é inversamente proporcional à emoção que a música que estamos a escutar nos transmite, acontece-me sempre isto com Vivaldi, começa a passar Vivaldi e a rotação do motor começa a baixar, tenho que mudar de canal para voltar a ganhar velocidade de ponta, estou sempre atrasado, é outra coisa que nunca me acontecia, nunca percebi se há alguma relação entre estar sempre atrasado e emocionar-me pouco.

No canal das notícias, falava o Mestre João André, o mais velho dos alunos do programa das Novas Oportunidades, disseram-me que também falou à noite na televisão, parece que foi lá o primeiro ministro entregar-lhe o diploma, mas eu isso não vi, quase não vejo televisão. Oitenta e cinco anos, é a idade do Mestre João André. E, aos oitenta e cinco anos, o Mestre João André terminou um ciclo de estudos e a jornalista perguntou-lhe o que sentia nesse dia.

Imagino o Mestre João André, a pensar antes de responder, a ajeitar a boina e a pensar efectivamente no que sentia, para responder sinceramente à pergunta. E disse que tudo quanto se aprende é pouco. E disse que se sentia como se devia sentir o sol quando nascia ou como a lua se devia sentir quando era noite de lua cheia.

E eu, que quase nunca me emociono, parei o carro na berma. Porque, toda a gente sabe isto, é perigoso conduzir depressa quando se tem os olhos marejados.

POUS claro!

C_pereira

 

 

A proibição dos despedimentos e a saída de Portugal da União Europeia (UE) são as principais bandeiras do Partido Operário de Unidade Socialista (POUS) para a campanha rumo às eleições europeias de 07 de Junho.

A dirigente do POUS Carmelinda Pereira, que apresentou em conferência de imprensa os objectivos da campanha do partido, defendeu que o governo "faça uma lei proibindo todos os despedimentos".

Aqui

Falava-se de "orbesidade".

A chefa mandou e eu sou muito bem mandada

Retrato-robô das sopeiras de antanho

(aka a minha posta das irenes)

Capítulo 2* – As empregadas das nossas mães

Chamavam-se Isabel ou Maria do Céu e tinham 15 anos quando vinham da terra pela mão da velha tia. Chamavam os nossos pais “Senhor Doutor” e com alguma rapidez ganhavam confiança connosco para nos tratar por tu e interpelar-nos pelo nome. Antes de ficarem com o exclusivo do quartinho ao lado da cozinha, partilhavam-no, e à cama de corpo e meio, durante um ou dois meses, com a tia que as tinha trazido. Esta última só partia quando tivesse a certeza de que dominavam por completo o serviço da casa, transmitido com rigor, ao longo desse período “de estágio”. Já vinham da terra, claro, a saber lavar, limpar, passar, passajar, cozinhar. Mas chegando à cidade grande, havia que aprender os cantos à casa, os hábitos dos patrões, os nomes e as moradas dos comerciantes do bairro. Vinham com o coração expectante e a cabeça cheia de sonhos. Aspiravam a tornar-se cabeleireiras ou educadoras de infância. Experimentavam os penteados das actrizes da telenovela (o Astro, Casarão, Dancin’ Days) e rapavam os pêlos das pernas e dos sovacos com gilette. Começavam a trabalhar às 9h00. Saíam às seis da tarde para o liceu onde completavam o ciclo preparatório ou o antigo 5º ano. O namorado andava na tropa e ia buscá-las ao sábado à noite para irem ao cinema e ao domingo para as matinées dançantes. Nos tempos livres liam fotonovelas e romances de cordel da Corín Tellado (a propósito, sabiam que a senhora se finou há poucos dias?) ou faziam intermináveis toalhas e colchas de croché para o seu próprio enxoval. Depois do almoço, passavam a roupa a ferro enquanto viam na televisão as repetições das novelas que não podiam ver à noite por estarem a estudar. Eram pouco mais velhas do que nós e por isso confidenciavam-nos as suas coisas e podíamos contar com a sua cumplicidade para os nossos pequenos deslizes. Quando os nossos pais saíam à noite, deixavam-nos ficar acordadas até mais tarde e ficavam connosco a ver os filmes proibidos na televisão. Não tinham ordem para nos puxar as orelhas mas estavam instruídas para prestar aos nossos pais relatórios diários sobre o nosso comportamento, relatórios esses que eram mais ou menos negociáveis. A autoridade que tinham sobre nós era, claro, obtida à custa de uma certa dose de chantagem algo semelhante à que os irmãos mais velhos fazem sobre os benjamins (se fazes/não fazes ou contas isto/aquilo vou dizer ao teu pai que… - processo esse que podia ser biunívoco conforme o grau de ‘rabo preso’ que tivessem). Zangavam-se connosco quando pisávamos o chão acabado de lavar ou se desarrumássemos a cozinha que tinham arrumado pouco antes, mas logo a seguir iam lá e limpavam/arrumavam tudo outra vez, numa operação que pelos motivos acima referidos podia contar com mais ou menos participação nossa. Faziam o que lhes era pedido e tinham um certo nível de autonomia mas não decidiam as refeições nem escolhiam os dias das grandes limpezas. Andavam connosco para todo o lado e pediam-nos ajuda para pequenos recados. Quando faltava a água – o que acontecia várias vezes por ano - , pegavam em nós, nas bilhas e nos garrafões e lá íamos, juntamente com as empregadas das vizinhas, de quem eram amigas, às bicas da cidade. No regresso, transportavam as bilhas cheias no topo da cabeça, o que causava em nós uma admiração por elas sem precedentes.

Em Julho aturavam-nos os dias inteiros enquantos os nossos pais ainda estavam a trabalhar e não era tarefa fácil para elas controlar-nos quando as nossas hormonas começavam aos saltos e as delas já iam um pouco mais adiantadas. Mas como eram intrinsecamente bem-formadas e responsáveis, conseguiam gerir a coisa com algum savoir faire. Iniciavam-nos nalguns segredos do mundo dos adultos que elas próprias bebiam da Maria e da saudosa Crónica Feminina. Um belo dia, lá nos levavam com elas na sua folga e descobríamos então todo um admirável mundo novo de cuja existência nunca antes suspeitáramos como, por exemplo, um bailarico almodovariano numa sociedade recreativa da Rua dos Fanqueiros. Em Agosto iam connosco de férias para o Algarve mas em Setembro partiam para a terra durante um mês seguido e era o cabo dos trabalhos para a família inteira passar sem elas.

E um belo ano, quando voltavam, vinham transformadas. Começavam a ter de se ausentar mais vezes porque tinham de tratar da sua vida. Além dos exames e dos cursos por correspondência, iniciavam - por vezes às escondidas - os preparativos para se casarem. E avisavam os Senhores Doutores que se iam embora, e convidavam-nos para padrinhos, mas já não asseguravam a sua substituta. Até porque tinham um novo emprego à espera, ou então, o futuro marido não queria que elas continuassem a trabalhar. Prometiam continuar a aparecer, o que faziam durante o primeiro ano, ou dois, ou dez, mas o inexorável caudal dos dias encarregava-se de, inevitavelmente, as dissipar no nevoeiro do esquecimento.

Começava então o infindável périplo das nossas mães, forçadas a entrevistar dezenas de candidatas (cujas pintas fazíamos questão de ir controlar pela fresta da porta entreaberta da cozinha) chegadas por via de um anúncio colocado no Diário de Notícias. Era então que a família era obrigada a mudar os seus velhos hábitos, pois chegados a esse ponto da história, apercebíamo-nos que já ninguém queria ficar como interna. Nada voltaria a ser como antes. Mas isso ficará para o próximo capítulo.


* O primeiro capítulo (aka a minha posta das adelaides) pode ser lido no tasco da Calamitosa, mais precisamente aqui

As oportunidades da crise

vende-se2

… e os miúdos divertem-se imenso a mudar de sítio as dezenas de placas “Vende-se” que encontram por aí.

Bem fisgada. Muito melhor que trocar as sacas de pão das portas, como eu fazia quando tinha a idade deles.

Cotidiano

Metade de toda a minha vida foi feita de rotinas. Tudo era certo e cumpria um plano e um calendário há muito estabelecidos.

Acho que quando nasci ninguém perderia dinheiro se apostasse que, vinte e poucos anos depois, muito poucos, que não havia borlas para ninguém, estaria a acabar um curso qualquer na Universidade de Coimbra (apesar de duvidar muito que alguém, no seu perfeito juízo, pusesse as fichas em Direito), que continuaria a ter uma forte ligação à casa dos meus pais e à família toda e que cumpriria todos os rituais há muito estabelecidos.
Era tudo certo, certinho, mas tem graça, acho que também era tudo muito mais simples quando já se sabia o que ia acontecer.

Aos Domingos almoçávamos em casa dos avós. A Páscoa era passada um ano em casa outro na Covilhã, era só fazer as contas. Férias começavam em Julho na Figueira e estendiam-se até 31 de Agosto. Impreterivelmente. Quinze dias, que podiam ir de Junho a Setembro, conforme a escala da “Casa dos Irmãos”, estavam reservados para a Praia da Oura e o mês de Setembro para a Quinta. A 7 de Outubro começavam as aulas e já estava tudo em casa outra vez e o Natal era Covilhã. Os meus pais passavam o Fim d’Ano no Casino da Figueira e no Carnaval íamos todos para Gatões. Idas ao estrangeiro eram duas ou três vezes por ano, de férias ou nalgum congresso, mas nós miúdos só tinhamos os recuerdos que passaporte nem vê-lo, aquilo era para eles, os pais.
Simples. A vida era simples.

Nem a minha saída de casa, para ir viver e estudar para Coimbra, e a seguir as dos meus irmãos, alterou muito este fazer.
Morreram avós, nasceram primos, houve uma Revolução, comecei a viver sozinha, a Electro foi nacionalizada, a casa dos avós do Natal ardeu, o tio Luís casou-se (esta foi complicada de encaixar que o tipo era nosso, dos novos, dos miúdos) mas nada mudou estruturalmente.
Ia mudando a conjuntura, como fica bem dizer, mas o resto, a espinha dorsal, estava lá toda. A minha casa era a de lá, aquela onde ainda estavam (e estão…) as minhas coisas, as férias eram nos mesmo sítios e nas mesmas alturas (inconcebível imaginar que Agosto não era Figueira!), o Natal passou a ser lá em casa, mas os pratos eram os mesmos, o faqueiro tinha de ser o de prata ( sou muito mete nojo!…) e os copos os de cristal. As pessoas também eram as mesmas e eram sempre muitas.

Agora que penso nisso acho que a primeira grande mudança, maior que outra qualquer, foi a Adelaide ter ido embora. A Adelaide (que será feito dela?!) estava lá desde o princípio. Desde o dia em que a minha mãe se casou e trouxe com ela, da Serra, a empregada (criada, pois claro.).
A Adelaide esteve por lá 22 anos. As outras, “as de fora”, iam e vinham, mas a Adelaide não.
A Adelaide criou-nos, mudou-nos as fraldas, ensinou-nos a andar e a falar, dormiu no nosso quarto quando estávamos doentes, jantava e almoçava connosco na copa, que a sala de jantar era para os crescidos, nela não se sentavam à mesa crianças e criadagem, limpou-nos as feridas e o rabo, deu-nos banho e levou-nos a "àguichá" à noite à cama. A Adelaide era a nossa ponte para o mundo deles e a ponte deles para o nosso mundo.

A Adelaide era, definitivamente, a dona lá de casa.
E a Adelaide era uma cabra.
A maior cabra que conheci, a cabra que me ensinou a ser cabra!
A gaja mais estuporada que comigo se cruzou, com quem tive as piores discussões da vida, muito piores que com qualquer gajo, o polícia que me vigiava as horas de entrada, a bufa que fazia o relatório, a maldita que me escondia as cartas dos namorados, a compincha que nos compreendia, a melhor cozinheira do mundo, a desgraçada que não vejo há sete anos e de quem tenho muitas saudades.
A Adelaide que foi embora um dia, não sei qual.
A Adelaide que já não estava lá quando nós chegámos de Londres, que saiu sem se despedir porque se se despedisse nunca teria conseguido sair.
A Adelaide que não nos viu formar, que não conhece os nossos filhos, que apareceu de fugida, há sete anos atrás, quando o Senhor Engenheiro morreu, e que eu não reconheci.
Sim, acho que foi a saída dela que quebrou as rotinas. Acho que foi a partir daí que tudo se alterou. Ou, pelo menos, foi a mudança da fase.
Saiu a Adelaide entrou a Irene, mas a Irene é mais nova, a Irene não manda (muito!…), a Irene não está lá desde o princípio, a Irene aterroriza os nossos filhos, mas a nós pede-nos conselhos.
A Irene não é a Adelaide. A Irene não me conseguiu segurar como a Adelaide me teria segurado. De certezinha.

E as minhas rotinas finalmente quebraram-se. Se os meus anos eram previsíveis, agora nem os meus dias o são. Tanto lastro, tanta raiz, tanta certeza, deram-me talvez a segurança ou a fartura que me fez não querer mais que um dia atrás do outro.
E passei por cima de tudo o que me pudesse fixar, calendarizar, planear. Os dez anos a seguir, dez!, passei-os sem ter ficado mais que 15 dias seguidos no mesmo sítio, e esses 15 dias eram as férias. Todos os fins de semana, sem excepção, fazia o saco, já de olhos fechados, e ia.
Para casa, normalmente, a tal casa que já não era a minha mas onde ainda tenho as minhas coisas, ou para outro sítio qualquer.
Ia.
Fui.
De Coimbra para casa. De Lisboa para casa. Para casa, mesmo que a casa já não fosse a minha e já tivesse outras casas, ou para outras casas quaisquer.
A única regra era que ali, onde estava, fosse o onde o que fosse, não podia ficar.

Mudei. Grito do Ipiranga ou medo do que já sabia que não iria ter, mas mudei tudo.
E nunca na minha vida assinei um contrato de trabalho, nunca me casei, nunca comprei uma casa. Não tenho PPR’s nem contas a prazo, não compro carros a prestações, não marco férias, não sei onde vou passar o próximo fim de semana ou onde estarei a viver daqui a um ano.
O Natal logo se vê, a Páscoa é ao Domingo e pronto, emprego não tenho e trabalho há sempre, seja ele qual for.
Tenho duas certezas, duas certezas que todos os dias vejo crescer e que são a minha casa, o meu lar, a minha vida, o meu mundo, as minhas únicas rotinas.
Tudo o resto, que sera sera.

Mas tenho saudades. Tenho muitas saudades

Novas instalações à altura das Cabras deste blogue

Foto: Shark

Sexo divertido

(Porque hoje é o dia mundial do riso e porque a malta até se diverte com estas coisas.)


Tenham um dia sorridente e cheio de coisas boas.

TENTAÇÃO

Vou-vos pedir que olhem para a foto do post abaixo (quando eu comecei este texto estava mesmo abaixo, mas esta gente produz que se desunha!!!!) por uns minutos. Vá, eu sei que é um sacrifico, mas façam-me lá o jeitinho.

E agora tenho algumas perguntas:

1ª – Alguém acha mesmo aquela pose natural? Ou será que sou só eu que acho que a rapariguinha está a sofrer horrores naquela posição?

2ª - Alguém acha mesmo aquela pose sexy? Ou será que sou só eu que acho que a rapariguinha está a sofrer horrores naquela posição?

3ª – Alguém mais acha que a melena de cabelo (supostamente sexy) sobre os olhos, lhe dá um ar um pouco estrábico? (já nem vou dizer que se fosse eu com a cabeleira no olho, já estava fartinha de soprar…)

É que isto anda-me a moer o juízo desde que vi o poster pela primeira vez. Isso é o outro da tábua de engomar, but that’s a horse of a different colour…

P.S.: Tou a fazer o post no writer e tou tão apaixonadinha que tou capaz de deitar o pc na almofada ao lado da minha…

P.S.1: Eu até botava a foto aqui, mas por motivos alheios à minha vontade não me emprestam a Helena Coelho (até parece que eu precisava dela para mais alguma coisa que não fosse ficar dorida a olhar para a foto e mandar-lhe Reumon gel por correio verde…).

Isto ainda vai dar desgraça!

eu não tenho nada contra virgens...

não tenho nada contra virgens
(já tinha dito)

Toda a gente o ouviu dizer isto, não foi? O Santo, o nosso Santinho, gosta de virgens. E, pelos vistos, tem andado muito entretido. Um bocadinho entretido demais. Em excesso, talvez.

Só não sei, dúvida lancinante, se num caso como este poderemos chamar-lhe Santo de pau carunchoso!…

"Tenho 26 anos, sou virgem e nunca tive namorado". Margarida Menezes, presidente do Clube das Virgens em Portugal, (…) não conseguiu até hoje, um ano depois de ter fundado o Clube das Virgens, uma única sócia…

Guidinha, tu tem cuidado rapariga, que ele anda por aqui!

Queriam a tal listinha dos aniversários, não era?

Pois que o que dava jeito era um calendário. Uma aplicação gira, já pronta a usar, que ia direitinha ali para a coluna do lado e onde pudesse escarrapachar os aniversários aqui da malta. De preferência com possibilidade de se fazerem uns links para os blogs respectivos.

Não há!

Tentei, em alternativa, o copo de vinho branco do costume. Também não havia.

Então um post, aqui no Cabra, com um link na coluna. Podia fazer umas tabelas com os meses e os dias e depois ir preenchendo.

Fácil, não era? Então, se era, façam vocês. Foram horinhas de trabalho (santo Windows Live Writer!) a inserir tabelas, preencher células (???!!!…), acrescentar colunas, mudar tamanhos de linhas e aquilo ficou assim a modos que, em duas palavras apenas!, uma caca.

Raio de boca grande que eu tenho… E isto tudo porque a Peixa meteu as barbatanas pelas guelras, que é como se diz as mãos pelos pés em linguagem peixícola, e achou que o Santo, o nosso Santo, fazia anos no Domingo passado, no dia do outro, do Condestável. Confusões da Peixa, as usual.

Mas pronto, eu já tinha vindo a público dizer que sim, e coiso, e tal, e era certinho, que a lista estava quase pronta, só tinha um problemazito com o computador – o problemazito que os computadores costumam ter quando o trabalho que ainda não está nem começado já devia estar acabado… – e não se me chegava uma única ideia à cabeça que me ajudasse a despachar o assunto sem grandes suadelas. E não chegou. As ideias, tal como os calendários e os copos de vinho branco, andam em vias de extinção.

Vai daí, vi-me obrigada, para não desiludir a vasta audiência que tinha confiado em mim, a trabalhar que nem uma moura (santo Windows Live Writer!…) e posso assegurar-vos que, apesar de não estar perfeita perfeitinha, tenho obra que se apresente.

Ide, ide ali à coluna do lado. Ou, caso não tenham esta minha imensa capacidade de sacrifício e vos custe fazer qualquer coisinha, apanhai boleia aqui. Psst!!!, Parou tudo! Vão lá, mas depois, só depois, de lerem o postezinho até ao fim, masquéstamerda?.

Reclamações é com o Senhor Shark, que o gaijo é muito maior que eu, apesar de, pelo menos neste caso, estar inocente. (a mesma coisa não posso dizer de mim, mas pode ser que passe…)

Contribuições futuras, SIM, SEM SE VER!, esta também é para ti!…, podem ser enviadas pelas formas do costume*, de preferência com uma contribuiçãozinha pecuniária que nem tem de ser modesta como eu. É que foram muitas horas a trabalhar em prol do bem comum (e com várias reclamações da prole aqui de casa, mas a essa calo-a com duas ou três ameaças e uma chantagem qualquer, desde que seja feia e porca e baixa…).

Prontos. Tenho dito. E feito!

Agora já podem ir ver.


* a caixa de mensagens deste post é uma delas. Aproveitem e digam lá em que dia é que nasceram que eu até estou com a mão na massa.

MANHATTAN


A Gaija do Norte tem razão

O Cabra não merece tal coisa. O elefante que faz na minha mente (mais que) perigosa as vezes de grilo espezinhou-me e (mas como raio se chama o som emitido pelos paquidermes?) ensurdecedoramente até conseguir a minha rendição incondicional. De modos que retirei a imagem de autêntico terror postada ontem à noite num (im)puro devaneio. Redimir-me-ei. Palavra de Cabra Calamitosa.

Candidatas à primeira página da Playboy melhores que a Maya (II)


Estou a cair de sono

Não jantei, quase não almocei, estou sem cigarros, não vi o CSI, não adormeci no sofá, não respondi a comentários, não comentei, não fiz praticamente coisa alguma o dia todo.

Trabalhar? Pouco, muito pouco. Quase nada.

Excepto, sim, que há sempre uma excepçãozinha, tentar perceber como se pode publicar uma lista de aniversários na coluna lateral de um blog.

Acho que já hoje li tudo o que havia para ler na net sobre blogs, experimentei milhares de ferramentas, aprendi a postar de dezenas de maneiras diferentes, enfim, tentei arranjar uma solução para o que parecia que não a tinha.

Consegui. E garanto que está a ficar coisa fina. Só não aguento mais, que ainda me falta muita gente e esta cadeira já está com umas formas estranhas. Giras, mas estranhas.

Amanhã. Talvez!

PRETTY WOMAN

Se a mana acaba com as fases todas do Visconde, eu satisfaço os desejos do Cyber e vamos dar inicio às hostilidades…

Que tal recordarmos os loucos anos 20?

Mente

Declaro oficialmente encerrada a fase "Soraia Chaves", "Helena Coelho", "Maya", e até mesmo "Odete Santos" do Visconde

Raínha da Depilação


Pronto, já chega!



Boa Francineide, Raínha Veet 2009

Declaro oficialmente encerrada a minha fase "Soraia Chaves"


Eu meto-me em cada uma…

Sim, a lista dos aniversários não foi esquecida. Está a ser cozinhada, mas garanto que deve ser mais fácil fazer uma lampreia de ovos.

Quem quiser sair na primeira fornada ainda pode deixar a data no post lá de baixo.

(muito de baixo, que hoje fartámos-nos de trabalhar…)

Candidatas à primeira página da Playboy melhores que a Maya (I)


Agora sim, apaixonei-me!

windows live writerEsqueçam tudo o que eu disse no post ali de baixo. Aquela treta de postar com o Word e coisa e tal. Aquilo era só fogo de vista que parecia muito bom mas depois publicar fotografias era o cabo dos trabalhos.

Não sei se farei bem em vos revelar esta minha descoberta. Não sei se não irei parecer aquela rapariguinha da reportagem do Expresso que nunca tinha visto o mar e ficou presa de encantamento, mas é assim que me sinto e não vou deixar de o gritar aos quatro ventos. É paixão mesmo!

Hoje, dia 27 de Abril de 2009 encontrei o Windows Live Writer.

(Quem já sabe o que é que passe à frente, os outros venham comigo) 

Comecemos pelo princípio, que sempre gostei de começar pelo princípio.  Página do Windows Live e descarregar programa. Cuidado com a versão, que há por lá umas em brasileiro que são intragáveis.

Instalar e… blogar!

(Já vos disse que estou apaixonada??!!…) 

Lindo! Isto é lindo. Acho que faz tudo, só não escreve os posts sozinho.

Podem ter os vossos blogs todos aqui configurados e postar directamente no que quiserem sem terem de mudar de utilizador, trabalhar as fotos com elas já inseridas, mudar-lhes o tamanho, o sítio, as cores, as margens, rodar…. uma desbunda!

Podem alterar o tamanho das letras, as configurações do blog, guardar aqui os rascunhos ou manda-los para o vosso blog, visionar o post tal qual fica depois de publicado, contar as palavras à medida que escrevem (parece que isto me será muito útil tendo em conta aqueles lençóis…), fazer correcção ortográfica, tudo…  Lindo, isto é lindo!

Ah! , e nem precisam de instalar o programa. Conseguem aceder a ele online na página do Windows Live.

Agora vou fazer a tal coluna para os aniversários, que foi assim que tudo começou.

E não me agradeçam. Faço isto por amor ao próximo…

O problema do coturno!

Quer tenhamos a coisa em mente desde o início, quer não, o certo é que quando uma gaija quer, mantém o comportamento adequado, sorri nos momentos certos, não desvia o olhar quando não deve, cede aqui e ali (e mais uma data de coisas nossas que os gaijos não têm que saber), o gaijo vai tentar a sua sorte e se nós estivermos para lá viradas a coisa acontece.
Entre monossílabos e respirações mais ou menos ofegantes, um travão de mão que insiste permanecer no local errado, um volante que nunca devia ter sido colocado naquele sítio, um pisca com vida própria e um limpa pára-brisas que ensandeceu, lá chegamos a um local mais ou menos confortável (ou não, bálhamedeus, ou não…) e depois de tirarmos os casacos e os pullovers, o ambiente atinge uma temperatura tropical bem aprazível.
Chega então o momento de avaliarmos comme il faut e discretamente o que temos à frente (aquele coisa dos cabelos macios, dos braços e das pernas no sítio e tal). Se nesse preciso momento baixarmos os olhinhos até ao fim da perna dele e verificarmos que não tirou os coturnos, temos o caldo todo entornado. Como é que um gajo (sim, baixa logo de categoria) não tem frio nos braços e consegue submeter-se ao ridículo de manter os pés cobertos? Será que algum deles teve a audácia de se olhar ao espelho naquela figura? Terá sido uma recomendação da mãe com medo de um resfriado? Digam lá se não é de voltar a vestir o pullover e o casaco, dizer que nos esquecemos da torradeira ligada e desarvorarmos por ali fora?

Fato às riscas (ou como, por uma vez, o título corresponde à essência do post)

Muitos meses depois, volto a vestir o meu fato às riscas, aquele que é praticamente igual ao que o Leonard Cohen tinha vestido no concerto de Londres do ano passado, bem sei que o fato às riscas do Cohen tem os bicos da gola desencontrados, bem sei que o fato às riscas do Cohen tem os botões em fila dupla e o meu não, mas, tirando isso, o meu fato às riscas é igual ao do Cohen.

É um sinal, eu tinha arrumado este fato às riscas no canto mais afastado do closet no dia em que percebi que o meu fato às riscas era muito parecido com o do Michael Corleone e é sempre bom ter um fato que não faça as pessoas associarem-me ao Michael Corleone quando estão na minha presença.

É um sinal, voltar a vestir o meu fato às riscas. Não sei é que sinal será.

PAGO PARA ESQUECER


Se passarem numa banca de jornais, deitem os olhos à capa da TV MAIS (oh p'ra mim a ser fútil)...

E lá, vão encontrar escarrapachadinha, a revelação de que a persistência leva-nos ao triunfo.

É que a Maya pode não ter conseguido a capa da Playboy (que o Hugh deve ter declarado logo que nem por cima do cadáver dele), mas vai-se despir para a FHM.

Para todos aqueles que não acreditam que os sonhos se podem tornar realidade, aqui está a prova de que o mundo é daqueles que batalham pelo que querem!!!!!

Será que consigo?

Então não é que andei para aqui a cuscar a melhor forma de fazer a tal listinha de aniversários e descobri que o Word permite publicar directo no blog?

Não faço a mínima ideia se isto vai resultar ou não, mas se conseguir não vou querer outra coisa. Parece que assim dá para fazer gracinhas habilidades destas, postar fotos, tabelas, tudo, tudinho.

É um mundo novo que se abre!

(Está bem, eu depois ensino como se faz…)

Sexo variado

(O Kamasutra não foi concebido para ficar na estante ao lado das enciclopédias).


Desejamo-vos uma semana sensacional e cheia de novas tomadas de posição acerca do que interessa mesmo na vida.

Boca no trombone.

A pedido de várias famílias esta caixa de comentários só vai mesmo servir para deixarem o dia do vosso aniversário.

O convite é aberto a todos e todas, mas para a malta cá do sítio não é convite, é mesmo um deixam ou deixam....

Todos os que tiverem um blog ficarão, para a eternidade, na futura coluna ali do lado. A dos aniversários.
Depois disto não venham dizer que não sabem e bádádi bádádá...

(malta dos comentários ou leitores anónimos, isto também é para vocês. Façam lá o jeitinho.)

* não consigo impôr respeito. Como se pode ver pelos comentários já começaram a tergiversar... mas o convite continua em aberto. Deixem, sejam quem forem, a vossa data de aniversário. 

A revolução dele, essa, não volta...

Um texto dolorosamente lúcido

Um dia inteiro com Bach para depois passar a noite neste quarto...



Quero a minha revolução de volta.

Ela tem 11 anos agora. Eu tinha 11 anos em Abril de 74.

O quarto dela tem posters dos Jonas Brothers e da Hannah  Montana.
Eu tinha cartazes do PPD (sim, todos temos algo que nos envergonha...)

Caramba, eu nunca fui teenager, fui revolucionária! 
Tudo, na altura, se media pela Revolução. 
Não me lembro de  discutir música com o meu pai. Lembro-me de discutir política. Se ele era de esquerda eu ia ser de direita que generation's gap é generation's gap, mas não me recordo de grandes conflitos, que na altura as liberdades eram amplas e se não eram nós fazíamos com que fossem.

Poucos meses depois de Abril fiz a minha primeira manifestação. Tinhamos todos pouca altura, mas grandes cartazes.
Marchámos, primos, primos de primos e primos de primos de primos, pelo jardim da minha avó com cartazes onde as palavras de ordem eram simples - Não Queremos Sopa!
Podemos não ter conseguido atingir os nossos objectivos, mas ninguém nos disse para ficarmos caladinhos e sossegados. Eram outros tempos e liberdade era liberdade!

O poster do John Lennon nu apareceu no meu quarto pouco depois. Acho que a minha mãe, facha!, muito facha!, ainda disse qualquer coisa, mas eu devo ter ameaçado com o Vasco Gonçalves, ou mesmo o Otelo, e o Lennon lá ficou. O meu pai deve ter feito um sorriso dos dele e seguiu em frente. 

E lembram-se de como era na escola?
Tudo estava politicamente classificado.
Os comunas. Os MRPP. Os anarca. Os fascistas do CDS. Os Carneiristas. Os gajos do aparelho, PS portanto... 
E tinhamos fardas - querem que vos lembre dos pullover azuis escuros com calças à boca de sino ou dos lenços palestinianos? - tinhamos convicções profundas e tinhamos as hormonas adolescentes aos saltos. Saneámos professores, denunciámos informadores, fizémos parte de vários comité e achámos que estávamos a ser todos muito adultos, e sérios, e responsáveis e políticamente empenhados.

Porra. Erámos uns putos a tentar ser gente, mas agora não sabemos, ou eu não sei, como lidar com adolescentes tout court. É que agora as diferenças entre nós, os crescidos, e eles, os adolescentes, já não podem ser desculpadas com um 25 de Abril qualquer, e temos de lidar com os gritos do Ipiranga dos nossos filhos sem sabermos muito bem como isso se faz. E eu tenho de levar com uma parede de quarto cheia de posters da Bravo porque a gaijinha teenager gosta de usar fita cola nas paredes, sem perceber que aquilo faz parte dos braços de ferro que não precisam de revoluções.
Mas, pergunto eu em pânico, afinal de que partido são os Jonas Brothers? E a Hannah Montana? Aquela choca de certeza que vota Cavaco... 

PANTERA COR-DE-ROSA


Sabem quando vos entra uma holandesa loira, vestida de cor-de-rosa da cabeça aos pés, em casa e o vosso filho - mais novo do que ela - abre um sorriso de orelha a orelha e a convida para sentar no tapete?

Sabem quando ela se está a preparar para ir embora e ele vai-se calçar e buscar o casaco para a levar a casa?

É que se sabem, digam-me lá se isto é normal aos 3 anos e meio!!!!! É que eu fiquei com medo!!!!

Prazeres da carne

Foto: Shark / Assado: Gaija do Norte

Guloseimas

Foto: Shark

Habemus Santo.

São Nuno, o Condestável

Por aqui, no Cabra, já conheciamos a "generosidade fraterna" do Santo que se revela sobretudo com gémeas suecas, a  "paixão e despojamento"  com que doa os seus bens às mais desfavorecidas, a forma como leva os princípios cristãos do amor e generosidade até aos confins da terra e, sobretudo, como mesmo em situações bélicas nunca deixa de realizar os valores da vida pugnando pelo  evangélico "multiplicai-vos". 
Apesar de desconhecermos quem foi a abençoada que estava cega e voltou a ver depois de muito lhe rezar, não podemos deixar de nos congratular pela sua subida aos altares.

Parabéns, São Nuno.
Estamos todos felizes e orgulhosos por tamanha distinção e homenagem e esperamos que, dado sermos colegas e tudo, nos favoreças com os teus milagres sem precisarmos de muitas cunhas e rezas.

Vale a pena ver de novo

Talvez a Mente devesse ter colocado a fasquia mais baixa

Talvez tivesse sido melhor eu ter lido o Principezinho antes do Processo, talvez eu me devesse ter deliciado com o Wall-e e não com o Noiva Cadáver, talvez eu me devesse ter comovido com o Titanic em vez do Charlie e a Fábrica de Chocolate, talvez eu devesse ter lido a Turma do Cebolinha antes do Corto Maltese, talvez eu devesse ter apreciado Paris mais do que o Mindelo, talvez eu devesse ouvir mais Mozart e menos Bach.

Talvez assim eu tivesse visto o Steel Flowers com outros olhos. Talvez.

(Não é um Post)

Sabem como é?

Quando o gaijo está quase a chegar, estamos arranjadinhas, temos o jantar
adiantado, o vinho escolhido, vamos preparar a sobremesa e o
SACANA DO CHANTILLY NÃO SOBE?

Esta mulher fez-me sentir a balzaquiana de coxa farta e peito generoso que sempre sonhei ser

Stephanie Naumoska, 19 anos, modelo e concorrente a Miss Austrália

ACONTECEU NO OESTE


Da série ACONTECEU iniciada pelos meninos (Visconde e Shark).

Sabem, quando dão por vocês encostados a uma parede gelada e do vosso lado esquerdo têm uma familiar que já não vêem (graças a todos os santos) há mais de 10 anos a contar-vos todos os detalhes da sua vida e do vosso lado direito têm o homem com quem tiveram o vosso primeiro caso há mais de 20 anos a dizer que as primeiras paixões não se esquecem?

Sabem, o esforço que é estar a ouvir em estéreo e a pensar "Tico, responde à direita. Teco, ocupa-te da esquerda. E por favor, por favor, por favor, não se troquem e não mandem a tia para casa beber um whisky que logo lhe passa a nostalgia e não digam ao gaijo que ainda vai a tempo de recuperar o tempo perdido. Por favor..."?

Sabem, é nessas alturas que realmente compreendemos como aquele par de sapatos nos fica mesmo bem?

Sabem, não sabem?...

Somos gaijas duronas.

Chorou, chorou, chorou e continuou a chorar. Dois dias inteiros de lágrimas à solta, numa tristeza sem fim, como se o mundo tivesse terminado na quarta feira à tarde quando cortou o cabelo e o namorado a mandou passear.


Muito se chora quando se tem 17 anos. 
Já não me lembrava como era. Já não me lembrava como se vive no fio da navalha.
"Ele não quer nada comigo porque diz que estou feia. Não gosta de raparigas de cabelo curto"
E eu e a mãe, ainda a frase não chegou ao fim, e já estamos cheias de vontadinha de pegar nele e mostrar-lhe assim muito bem mostradinho o que pode fazer com a imbecilidade que lhe corre nas veias. E salta-nos da boca o "que besta" o "ai se fosse comigo" e um ameaçador "está mesmo a pedi-las".
Cheias de boas intenções e muito sangue nas guerlas lá lhe vamos sugerindo como tratar um anormal destes. Como se humilha. Como é fácil esmagar um verme. Como, mantendo sempre a compostura e um sorriso nos lábios se diz, en passant, que esperamos que seja muito feliz e arranje uma gaja que esteja mais vocacionada para lidar com pilas microscópicas como a dele.
 
Mas depois lembro-me de como era com  dezassete anos e, como disse uma outra gaija, já me teria atirado de uma ponte só de pensar que ele tinha dito que eu estava feia. Ou, como a minha ela de dezassete anos, juraria a pés juntos que ia para freira.

As rugas trazem-nos os calos nos sítios certos, ficamos rijas, gaijas do nosso nariz, a nossa carapaça protectora colou-se-nos à pele e um tipo destes serviria, no mínimo, para longas sessões de gargalhadas onde o rídiculo seria ampliado até ao exagero estratosférico e ele ficaria transformado no pobre palhaço de serviço.
Sim, somos mais fortes nas nossas fraquezas mas deixámos de ter o que tenho agora na minha frente.
Deixámos de ter cá dentro a menina. A menina que está agora no meu sofá, de lágrimas finalmente secas, deliciada com o Shrek 2 que ainda não tinha visto e com um sorriso encantado de bebé.

FOR YOUR EYES ONLY


Caso andem distraídos e ainda não tenham percebido, os habitantes deste curral são os máiores amigos que uma peixa pode desejar.

Os comentadores... Bolas... Deixam os comentadores de qualquer blog do mundo e arredores a milhas de distância.

Adoro vocês! E mais não digo!

P.S.: I'm back...

Amor de Abril

Escorrega por mim. Não te deixes ficar assim, encharcada, à mercê do frio de uma madrugada que vivermos a dois num Verão sentido muito depois de o Outono terminar. Na nossa cama, onde podes agora transpirar o amor estival que acontece normal quando sentimos a pele gritar pela outra que lhe falta e nos encostamos até o calor começar a incendiar-te o olhar com que me devoras por antecipação.

Segura por instantes a minha mão e faz de mim a tua marioneta, conduz-me sem pressa à porta mais certa para entrar em ti, molhada, já sem frio numa madrugada que vivermos a dois num espaço qualquer.
Nesse corpo de mulher de fogo coberta do suor libertado pelo amor que me deixa perplexo quando nos entregamos ao sexo como dois amantes sem mais folhas no calendário, empenhados no seu melhor.

Quando o meu prazer libertário apela à tua revolução interior.

Estou farto do estilo "rapaz do povo", inauguro agora o meu novo estilo, o "estilo Saramago"


Isto anda tudo ligado, anda um homem pela cidade e depara-se o cartaz do PSD para as europeias, este aqui em cima, a maioria das pessoas que olham para o cartaz consegue ver um exemplar trabalho do rapaz lá do PSD que trabalha com o Photoshop, cumprimenta o rapaz, sim senhor, que a Senhora Dona Manuela ficou uma beleza, mas eu, que sou eu, não sou como a maioria das pessoas, reparei logo naquele símbolo da Playboy que está a seguir ao PSD, a maioria das pessoas poderia pensar que o cartaz, parecendo um cartaz da Senhora Dona Manuela para as eleições Europeias, é, afinal, um cartaz de apoio a Pedro Santana Lopes para a câmara de Lisboa, não há que enganar, a mensagem subliminar não podia ser mais explícita, a sigla PSD com o símbolo da Playboy logo a seguir remete-nos para Santana Lopes, direitinhos, mas eu não sou a maioria das pessoas, eu não vi nada disso, o que eu senti foi uma uma vontade irreprimível de ir ao quiosque mais próximo e comprar o primeiro número da versão portuguesa da revista Playboy, eu sei que sabem que já está nas bancas, mas ainda ninguém aqui veio falar dessa circunstância excepcional que é termos uma versão portuguesa da Playboy, tenho que ser sempre eu, aqui no Cabra calha-me sempre a mim desenvolver estes temas fracturantes, isto anda tudo ligado, comprei a revista e verifico que a menina da capa, reparem naquilo que vos digo, a menina que tem a tremenda responsabilidade de estar na capa do primeiro número da revista Playboy não é outra senão a vocalista das Delirium, a Mónica, ou lá como se chama, que eu para nomes sou do pior, e se fosse só para nomes ainda a coisa se passava sem problemas de maior, o pior é que não é só com nomes que eu sou fraquinho, a verdade é que isto anda tudo ligado, e logo a seguir ao cartaz da Senhora Dona Manuela estava um cartaz daquela rapariga que faz os anúncios da lingerie, eu não vou aqui colocar o nome senão isto fica aqui cheio de visitas acidentais, o google tem destas coisas, se eu aqui escrevesse que a menina se chama Helena Coelho era tudo aqui a cair e nós não estamos cá para enganar as pessoas, era só o que faltava, reparem, eu não estou a associar a Helena Coelho à capa do primeiro número da revista Playboy, edição portuguesa, eu apenas estou a dizer que, depois de ver o cartaz da Senhora Dona Manuela , vi o cartaz da lingerie, bem vistas as coisas até se pode transler que eu estou a associar a menina do anúncio à Senhora Dona Manuela e não é nada disso, as diferenças são avassaladoras, o tipo do Photoshop da lingerie é muito melhor que o tipo do Photoshop do PSD, isto do ponto de vista da capacidade de manobrar o Photoshop, naturalmente, não quero que fiquem aí a pensar que estou a fazer juízos sobre outra coisa que não sejam as capacidades manobrativas do Photoshop de cada um dos rapazes, isto anda tudo ligado, no fim de contas o que eu vos queria dizer é que perdi o último avião de hoje para Madrid, o que quer dizer que fica um quarto vago com vista para a Castellana e, pior, vou ter que me levantar às cinco e tal da manhã o que, parecendo uma maçada, para mim é coisa normal.

Era só isto, podeis ir em paz, que, bem vistas as coisas, isto anda tudo ligado.

Já que falas nisso

Fizeste-me lembrar outra história, que li há tempos e que nem queria acreditar...

(por favor, dêem-se ao trabalho de carregar no link, pois não consigo reproduzir aqui a imagem, tal como está lá)

Programa para o fim de semana?

A Câmara Municipal de Santa Comba Dão incluiu a inauguração do Largo António Oliveira Salazar nas comemorações do 25 de Abril. A festa vai contar com a presença de uma tuna e, segundo o programa oficial, vai haver «porco no espeto»


No Domingo, dia 26, para comemorar a canonização de D. Nuno Alvares Pereira, será inaugurado o Largo D. Juan I de Castela frente ao Mosteiro de Aljubarrota. A festa vai contar com a presença de um grupo de flamengo e, segundo o programa oficial, vai haver "paelha".
A presença da Padeira lá do sítio ainda não está confirmada.

Aconteceu a uma amiga minha

Sabem quando num estádio de futebol o olhar se cruza com o gaijo mais lindo na multidão e depois até acontece um diálogo porreiro e o gaijo a convida para jantar e depois nasce uma bela e colorida amizade?


Sabem quem era o gaijo, não sabem?

Aconteceu a um amigo meu

Sabem, quando num grupo de quase trezentas pessoas o vosso olhar se cruza com o da mulher mais bonita que lá está?

Sabem, quando ao jantar a mulher mais bonita se aproxima da vossa mesa e pede liçença para se sentar ao vosso lado, apesar de haver outras mesas com lugares vagos, e, na vossa mesa, haver mais lugares vagos?

Sabem, quando a mulher mais bonita, a que se sentou ao vosso lado, vos toca ao de leve e até parece coisa propositada?

Sabem, quando ficam à conversa com a mulher mais bonita, e ela sabe de música e de livros, e sabe olhar-vos nos olhos?

Sabem, quando todos já tomaram café e começam a sair e vocês se dão conta de que na vossa mesa já só estão vocês e a mulher mais bonita, e isso não vos incomoda nem por um segundo?

Sabem, não sabem?...

É uma das coisas mais bonitas que já ouvi. Fica aqui, para si, Mente.

(A princesa Turandot ordena que ninguém deve dormir, todos deverão passar a noite em claro, tentando descobrir o nome do príncipe. Calaf, o príncipe desconhecido, acredita que ninguém descobrirá o seu nome, que só ao amanhecer será desvendado o segredo, quando ele disser, sobre a boca da princesa, o seu nome)

Só pode ser assustador

Ouvir a minha filha mais nova dizer Tudo o que sei aprendi com a minha Mestra Nortenha...

Tira teimas.

Universidade de Aveiro procura voluntários para estudar sexualidade

Mente Quase Perigosa

As tuas palavras. Um beijo nosso.

ATÉ LOGO, PAI

"Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.




Mais um intervalo. Mas a defesa de um mito justifica esta interrupção

Tendo sido colocado em causa, ainda que perifericamente, todo um histórico de competência e saber-fazer, antes que o rumor se transforme em algo de mais substancial, é meu dever cívico tranquilizar as hostes, puxar dos meus saberes de grafologia e descodificar os meandros da minha letra.

Antes de mais, escrevo em maiúsculas. Como a Tereza cedo intuiu (não é à toa que quase todos dizem que ela é a chefa disto…), não me dou bem com o mundo das coisas minúsculas. Isto é um sinal. E dos grandes.

Depois, e compreendo que estas coisas vos tenham escapado, isto é matéria complexa que só os mais capazes conseguem decifrar, depois, dizia eu, atentem no pormenor de eu não interromper o traço entre letras. Se verificarem bem, é frequente que duas ou três letras se encontrem ligadas, logo, não é da minha natureza escrever apenas uma letra, é quase normal que surjam duas letras seguidas e não é raro que surjam três ou mais letras no mesmo acto.

Reparem no til. Isolem o til. Parece uma nota musical, certo? Podia deixar à vossa imaginação a descodificação deste pormenor, mas é capaz de ser arriscado, iniciados necessitam da mão condutora do Mestre para interpretar os sinais. Estes sinais significam que há música em mim. Às vezes samba, outras valsa, mas quem está junto de mim tende a deixar-se enredar nessa musicalidade, tende a cair-me nos braços e dançar. Seguindo a minha música, evidentemente.

Finalmente, e porque não desejo maçar-vos, atentem na letra “A”. Um triângulo equilátero, a significar igualdade entre todos os lados, alguém que escuta igualmente todos os intervenientes, dirão alguns. Os ferrinhos de uma banda filarmónica, discreto, mas absolutamente audível no todo da banda, dirão outros. A letra Delta, maiúscula, símbolo da sabedoria grega, arriscarão outros. Todos estão certos, digo eu.

(Calamity, o sábio que a impressionou com a questão dos “Z” foi um meu antigo discípulo, infelizmente dos menos brilhantes, tão pouco capaz que tivemos que o designar para palestras na SIC Mulher. Esse meu discípulo, a quem são apontadas notórias preferências sexuais alternativas, criou essa infeliz teoria no que concerne à letra “Z”. Felizmente foi recentemente desmontada a cabala e a tese que esse infeliz defendia foi desmentida pela realidade dos factos. É hoje aceite por toda a comunidade que uma utilização mista de “Z” traçado e não traçado é sinal inequívoco de uma sexualidade transbordante, plena de sensualidade e afecto, um hino à masculinidade e sua consumação plena.)

Um pequeno cão

Foto: Shark

Três pequenas palavras

Para aquele, ou aquela, que anda há meses a tentar entrar no meu MSN e que deixa um rasto tão grande como a estupidez que tem:

GET A LIFE!

Machos latinos ou machos cretinos?

(...) Este contexto cultural em que as mulheres valorizam mais os afectos e os homens a posse e o prazer físico, é responsável por algumas discrepâncias existentes, nas relações conjugais, quanto à importância da sexualidade. Na grande maioria das vezes as dificuldades sexuais da mulher têm a ver com perturbações da comunicação conjugal a outros níveis, sendo reactivas à tensão e hostilidade da relação, ou, mais simplesmente, ao seu empobrecimento. É portanto, uma forma de protestar através do corpo, compreensível à luz da psicofisiologia da sexualidade feminina. Também, por norma, as mulheres têm uma vida bem mais complicada que a dos homens e nomeadamente, se ganharam o direito de trabalhar fora de casa, continuam, no lar, a fazer as mesmas coisas que faziam antes desta "conquista", apenas com muito mais pressão e um esforço bem maior.

Por isso, continuam a ser socialmente punidas, mesmo no nosso tempo e na nossa cultura, pelo simples facto de serem mulheres. Desgastam-se mais, cumprem uma labuta tendencialmente mais intensa e, nessas circunstâncias, chegam esgotadas ao fim do dia, naturalmente indisponíveis para a sexualidade (que, então, constitui uma violência adicional) por muito que isso possa desagradar aos homens. Afinal, se não mudar o estilo de vida destas mulheres (e pelo menos uma parte dessa mudança passa por maior apoio e solidariedade dos companheiros, é bom que eles não fiquem a assobiar para o lado…) não há milagres, não vale a pena procurar sexólogos, por muito reputados que eles sejam.

Título: "Até que a sorte nos separe"
Autor: António Santos Pereira
Editora: Ambar
Prefácio: Júlio Machado Vaz

Já estou por tudo que não me consigo mexer


Preciso, com urgência, de uma massagem terapêutica nos ombros.

Aquele sofá ainda vai dar cabo de mim.

(se nem assim te convenço I rest my case...)

Sexo dominical

(Porque não há folgas nestas coisas, o post da CJ deixou-me preocupado e dia santo é quando a gente o aproveita como deve ser.)


Desejamo-vos um domingo cheio de emoções e livre de abstinências que não as absolutamente inevitáveis por razões que vos transcendam e que apenas adiem por um curto espaço de tempo a concretização de um (ou mais) momentos saudáveis e estimulantes de convívio entre epidermes.
Não fazemos a coisa por menos. 

O Post que era para ser um comentário

Calamity, isto é capaz de ser o início de uma bela amizade...

(Visconde em "Eu sei transformar as crises em oportunidades" mode)

E só espero que ele um dia me perdoe...

Não me lembro do nome do senhor mas sei que é uma sumidade na análise grafológica. Talvez o único especialista português nessa disciplina (há quem lhe chame ciência, mas não domino a coisa o suficiente para me lançar em discussões sobre o assunto, de forma que, se alguém vier afirmar que o é, acatarei a afirmação sem tugir nem mugir - à falta de saber que nome se dá ao ruído emitido pelas cordas vocais de uma cabrita de metro e sessenta e dois como eu).
Já lá vão uns cinco anos desde aquele serão, mas a revelação foi de tal forma avassaladora que até hoje recordo aquelas palavras como se as estivesse a ouvir neste preciso instante. O especialista era convidado de uma apresentadora abrasileirada cujo nome também me escapa mas que não tem agora qualquer importância para o caso. O programa era um daqueles que não deixam saudades num canal que não costumo ver, salvo erro a SIC Mulher. Mas o zapping para ali me tinha levado (lá está, nada acontece por acaso), embora eu estivesse ocupada a fazer outra coisa qualquer. Ou melhor, não era outra coisa qualquer. Estava a escrever. Nessa altura ainda não tinha desgraçado a minha vida neste terrível vício da blogosfera e exercitava a caneta sobre o caderno de capa rija amarela cosido à mão que a minha amiga Paula me oferecera e que hoje se encontra repleto da tal caligrafia com que irei brevemente assustar - quiçá para todo o sempre - os ilustres frequentadores deste blog. E eis se não quando sou interrompida pelas vozes provenientes do pequeno ecrã. Aquilo de que falavam chamou a minha atenção e detive-me a apreciar as amostras analisadas e a aprender o que significavam aquelas inclinações para a esquerda ou para a direita, os traços dos T, as letras mais angulosas ou mais redondas, as palavras mais apertadas ou mais espaçadas. Para além de algumas conclusões que, com uma pitada de senso comum, qualquer aprendiz de psicólogo de bancada tiraria de letra (ora aí está uma expressão que não poderia ser melhor aplicada), outras eram deveras surpreendentes. Mas nada do que foi dito sobre as caligrafias enviadas pelos telespectadores me deixou tão boquiaberta como o pequeno diálogo sobre generalidades que se seguiu à análise propriamente dita. A páginas tantas, (mais uma metáfora escolhida a dedo) a apresentadora atira com esta: - Ó fulano de tal, ao que parece, os Q dizem muito sobre a sexualidade da pessoa.
- Sim, responde fulano de tal. É verdade, mas, ainda mais que os Q, os Z são reveladores.
- Ai é? Então explique lá.
- Bom, há muitos aspectos a ter em conta, claro, não se pode ser demasiado simplista. Mas em termos gerais, a questão do Q diz respeito a serem traçados ou não. Se o forem, poderá haver alguma dificuldade da pessoa em assumir um aspecto da sua sexualidade. Em relação ao Z, observa-se algo muito curioso. É que as pessoas que fazem os Z sem cauda não praticam.
- Como assim, não praticam?
- São pessoas em abstinência sexual. Poderá ser uma fase ou, por exemplo, pessoas que fizeram voto de castidade, padres, freiras, ermitas...

Não pode ser! , disse eu de mim para comigo. Isto é tanga, só pode ser. Eu tenho fases de actividade e não-actividade e faço sempre os Z da mesma maneira. E desatei a folhear o caderno de capa rija amarela cosido à mão ofertado pela amiga Paula. E não é que, mesmo ali, em cima da mesa à minha frente estava a prova provadinha que o homem dizia a verdade. Tendo eu passado pouco tempo antes por um daqueles períodos que o nosso tubarão julga só existirem na ficção mas que nosotras mujeres sabemos serem bem reais, pude comprovar na hora a veracidade da coisa. Ali estavam, bem escarrapachadinhos preto (ou azul) no branco sujo das páginasos Z da verdade: os do princípio do caderno, todos iguais aos maiúsculos, sem perninha; os seguintes, já de uma fase sexualmente activa, todos, mas rigorosamente todos dotados do respectivo apêndice. Parecia coisa embruxada.

E aqui fica, pois, o meu modesto, mas incontornável contributo para o estudo da complexa personalidade do nosso Visconde e também o motivo pelo qual lhe pedi encarecidamente que nos esclarecesse a todos se, sim ou não, costumava escrever sempre em letras maiúsculas, o que podia tê-lo poupado a esta extraordinária revelação. Mas não à possibilidade de serem difundidos aqui, neste blog, os traços de carácter das pessoas que se exprimem por escrito apenas em maiúsculas... O que, trocado por miúdos, significa: cautela. Este assunto poderá não estar ainda encerrado.

Como deve ser

Conhecem aquele tipo de gente que estaciona de frente e puxa imediatamente o travão de mão? Aqueles sacanas que ocupam os dois últimos lugares de estacionamento com a carroça? Ou os que deixam o triciclo muito chegado à esquerda ou à direita, obrigando-nos a estacionar mal também? Os que não fazem ideia para que servem aqueles traços brancos pintados no chão que delimitam (palavra sagrada!) o lugar que cada um deve ocupar? Os que nunca previram que um dia chegarão ao lugar onde deixaram a viatura e vão ter a certeza que eu passei por lá?

Tenho sido comedida! Normalmente deixo-lhes espaço suficiente para entrarem pela mala ou para abrirem um buraco no tejadilho, mas não sei até quando vou conseguir conter a neura… Claro que temo pela minha integridade física. Um mulherão de quase dois metros como eu pensa nesses efeitos colaterais (já fui forçada a trancar o carro e a fechar o vidro, deixando apenas uma frincha que me assegurava que o energúmeno continuava a ouvir os impropérios que lhe dirigia!), mas a ideia de aparecer cheia de hematomas não me atemoriza (posso sempre dizer que caí nas escadas!) e os benefícios para a minha sanidade mental seriam enormes.

Povo “estacionante”, receai pela vossa viatura. O meu objectivo é chegar ao lugar e fazer um estacionamento como deve ser!

Bimbas, bimbos e outras espécies em vias de reprodução

Deixem-me pôr isto de uma forma simples - a Bimby é o carro de mudanças automáticas dos gajos.

Se o problema das gajas são os pedais das viaturas, três pedais para só dois pés, ó desgraça!, para eles o drama na cozinha são os utensílios. 
Tachos, panelas, sertãs, batedeiras, balanças, testos ora fechados ora ligeiramente abertos, grelhadores, colheres de pau, tudo isso é demasiado complicado para cabecinhas simples.
Tal qual primeira nas subidas, sexta para autoestrada (ó p'ra mim a fingir que tenho um carro com seis mudanças...) e ligeireza nos pés que a culpa de serem nabas não é do chão.
(há lá coisinha melhor que não utilizar o travão? Reduzir na curva, aumentar ainda antes do volante acabar de ser rodado e sentir o carrinho colado à estrada como se fosse uma extensão do nosso corpo?)

Mas ponto de embraiagem? Bem, isso deve ser mesmo tão complicado como o ponto pérola.
Nabos!
Nabas!

Se há expressão que me pôe de imediato mal disposta é a Eu não sei!, dita com aquele ar de perfeito alheamento. É assim como um não sei nem quero saber, não sei mas nem me dou ao trabalho de pensar, não sei mas vou arranjar alguém que saiba.
Um gajo para o ponto de embraiagem, uma gaja para os pontos de açúcar.

Não sabem? Pois aprendam! 
Aprendam a cozinhar. Aprendam a conduzir.
Deve ser terrível vivermos a vida achando que não sabemos. Ou não queremos. Ou não estamos para isso. 

Mas demasiado curiosa com a Bimby andei a espreitar as receitas.
Gostei da da Massa Folhada e das várias receitas de sopa.
Nas sopas a Bimby, aquela coisa milagrosa, poupa o uso da varinha mágica. Ou do passe-vite. Mais nada. Sopa é sopa e com mais ou menos utensílios é fácil de fazer. Mas claro, se disserem que quem faz é a bimba a malta acredita e aventura-se que esta coisa das mudanças automáticas é fantástica, nem é preciso saber conduzir.
Na massa folhada a história ainda é melhor.
Lembro-me de ver fazer massa folhada em casa da minha mãe. Margarina especial (tinha um invólucro azul e branco que dizia "massa folhada"), levava farinha sem fermento e água. E mão. Muita mão da cozinheira. Misturar os ingredientes era fácil, o pior era o amassar. Duas dobras para a direita, duas para a esquerda, virar a massa, agora dobrar para cima, depois para baixo, virar para nós, esticar, virar... regras, regras e mais regras. E falhar uma implicava uma massa pesada que nunca iria folhar como se impunha.
A receita da Bimby? Fácil. Muito fácil. Ingredientes para dentro do copo, velocidade qualquer coisa e temperatura não sei quantas. Tantos minutos. Depois tirar e amassar à mão.
O que me apetece dizer? Ora merdinha, assim também eu! O mais difícil a malta tem de fazer, não é?

Bimby e carros automáticos. É que é sem tirar nem pôr. 
Quem sabe cozinhar e conduzir tira deles o melhor. Quem não sabe fica muito contentinho por achar que se são caros só podem ser bons e sabem fazer o que eles não sabem ou não querem aprender.
E o meu sonho é ter uma bimba e um bimbo na minha vida. Para me fazerem os pontos de embraiagem e os pontos de açúcar.

Psst... (intervalo na coisa)

Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra.

(Esse mesmo).

Campo Pequeno. Hoje, às dez da noite. Dá tempo de ver a primeira parte de Guimarães-Sporting.

(quem é amigo, quem é?...)

Crise? Qual crise?

E assim, num passe de mágica, ela desaparece. Se não das nossas vidas pelo menos dos nossos sites. De todos eles.


Vá, esqueçam tudo o que já ouviram, abandonem as grandes teorias, marimbem-se para as recomendações do Cavaco e venham comigo que eu mostro.
Firefox, já têm? Se não tiverem instalem que já o deviam ter feito há muito. Depois, na barrinha da URL, escrevam, que não dói nada, http://www.see-the-opportunity.com/.
Feito? Muito bem. Agora só falta instalar o Plugin, reiniciar o Firefox e começar a navegar num mundo cor de rosa, ou melhor, verde claro, cheio de oportunidades.

Não. Não agradeçam a mim. Agradeçam a Leo Burnett.
E agora vejam como a crise desapareceu num ai. Façam uma pesquisa no google e tentem encontrá-la. Nada. Zero. A crise entrou em crise.
Bem vindos ao Mundo Novo das eternas alegrias...

Mais doze dias. Mas isto está difícil, já sou lá vou com ajuda da Tereza...

O ponto alto do meu dia, o meu momento mais ansiado, é o fim da tarde, quando acabo o meu trabalho na bomba de gasolina e dou o meu pequeno passeio no Lidl.

Começo sempre pelas prateleiras com cerveja romena a vinte e três cêntimos cada duas latas, gosto de comparar a evolução do preço da cerveja romena e da cerveja búlgara, detenho-me no pormenor do desenho das latas, as azuis a prometer cervejas mais leves, as vermelhas a indicar maiores teores alcoólicos, todas elas a pedir para ser bebidas devagar, a lata ao sol, a cerveja morninha, quase sem gás a escorrer pela traqueia abaixo. Depois, gosto de me demorar na secção de vinhos em pacote, toda uma experiência para os sentidos, é um desafio às minhas papilas gustativas imaginar a delícia daqueles néctares, uns acompanham na perfeição uma boa lata de atum em conserva, outros realçam o sabor exótico de uma boa sandes de pão de forma croata com mortadela eslovaca.

Depois, as pessoas. A gentileza das empregadas de bata de ganga azul, pintalgada a branco, sinal de algum acidente na secção das lexívias, aqueles cabelos sebosos a lembrar-nos de que ainda temos que passar pela secção dos shampoos, onde poderemos escolher um shampoo de cor verde ou azul metálico, tudo a menos de um euro a embalagem de litro. Gosto de as ver por trás, as nádegas generosas bamboleando-se para meu deleite, os índices de massa corporal que atingem o seu climax nos corpos das meninas da caixa, o ambiente geral que nos faz sentir, em fechando os olhos, no interior rural da Ucrânia, o piscar de olho ao rapaz que repõe os iogurtes e nos fornece caixas vazias de cartão, todos sabemos que as caixas de detergentes multiuso são muito melhores que as de bolachas, porque mais perfumadas e resistentes.

Finalmente, já na fila da caixa, o impulso que nos faz estender a mão para um ambientador de automóvel com cheiro a pinho verde, daqueles que se colocam na saída de ar da chauffage do bom e fiel Ford Escort, ou, créme de la créme, os conjuntos de boxers com padrões de fantasma, cem por cento fibra, que me realçarão as formas, meio caminho para uma generosa noite de loucura.

Se é para devassar as intimidades...

Foto (e cuecas): Shark

Ora bolas!

E ficou mesmo sem se ver...


(o meu post que apareceu e desapareceu....)

Ora vamos lá ver

Eu não gosto destas armadilhas. Querem correr comigo do blog digam abertamente, agora pedirem para vir aqui postar um manuscrito é garantir um lugar vitalício na terceira cela do corredor da esquerda, aquela almofadada, garantir a pés juntos que vou ter os senhores de branco muito simpáticos a mudarem a minha camisa de braços compridos de 5 em 5 dias e a ocupar o precioso tempo e sofá dos outros senhores que vão escrever verdadeiros tratados internacionais sobre o estado a que chegou o "homo sapiens" tal qual ainda não o conhecemos (sim, eu não mostro a ninguém). Não tenho culpa de ser oriundo da geração em que terminaram abruptamente os cadernos de duas linhas onde se tinha de desenhar o "a" com a perninha atrás e o "Q" representava mais curvas que uma pista matchbox.
Vamos ao caso de extremo arrojo que ainda ponho aqui uma palavrinha sequer? Já viram o trabalho que o Google "Ferramentas de idiomas" vai ter para traduzir o rabisco para algo qualquer legível? Neste tempo de crise isso nem pensar, e já nem falo na Priberam a fechar portas por não conseguir de forma alguma apresentar o dicionário de sinónimos correspondente.
Não, recuso-me a ser a causa de tornar o mundo num local ainda pior do que já anunciam por aí. J'amais, j'amais*
Afinal não é à toa que um tipo consegue fazer as três disciplinas do 12º ano com um cadernito só, enrolado no bolso das calças, sendo que uma delas era Geometria Descritiva.

* o J'amais é para garantir que no máximo em 5 dias ponho aqui o post

Números. O meu mundo é mais números...


Se disser que chorei não estou a mentir.

Não gosto de televisão, de concursos, de passatempos, dos enlatados com apelo à lágrima fácil que fazem questão de nos servir.

Mas gosto de pessoas. Gosto muito de pessoas.

A Senhora em baixo chama-se Susan Boyle.
Vejam o vídeo. Vejam mesmo.
Para além do enorme arrepio que é impossível deixarem de sentir atentem na lição de vida que por aqui está.
Somos pequeninos. Muito pequeninos.

(O YouTube desactivou a possibilidade de incorporação de todos os vídeos da Susan Boyle. Presumo que para obrigar a ir lá, ao site, o que já foi feito por mais de 11 milhões de pessoas. Encontrei este vídeo no Sapo. É a versão mais longa. saltem os primeiros minutos se quiserem)


Sexo beijado

(Porque o carinho também encaixa e porque a boca deve ser usada sem reservas, até porque a oralidade é muito importante - a falar é que a gente se entende e assim...)


Como se aproxima um sempre apetecido fim-de-semana é impossível este não ser um dia bom.
Mas nós ainda reunimos aqui uma força nesse sentido, para a coisa nunca falhar.

E, para acabar a noite...

... A tal conversa das letras manuscritas que já não reconhecemos.
É que hoje até fiquei a saber que se publica uma revista só sobre caligrafia e que os manuscritos da Madame Bovary, com a letra do tal c'est moi mais conhecido por Flaubert, foram publicados na net mostrando ao mundo como se pode escrever bem escrevendo muito mal...

(Repescando)
Apeteceu-me, porque gosto de ter apetites a esta hora, lançar-vos um desafio - Mostrem a vossa letra!
A da Peixa, ou Perigosa, que o P. é sempre o mesmo, já cá canta e está mesmo aqui em baixo.
Da dos outros fico à espera.
E, como sou uma gaija maluca e gosto de chatear, peço aos senhores e senhoras da coluna ali do lado para publicarem um manuscrito também no blog deles, ou, tal como quem nos comenta e não tem blog, mandarem para aqui, que um dia, talvez, quase certo, nós publicamos.
Giro, não é?

A ver se me aguento até ao fim do mês no registo. Não é fácil, nada facil...

Se eu tivesse que ir para uma ilha deserta e só pudesse levar um livro, um único livro, havia de escolher o "Zézé Camarinha, o último macho man português", edição Livros d'hoje.

O autor, José de Camarinha, é dos nomes mais incompreendidos e mais vilipendiados das nossas artes e merece, na minha opinião, uma leitura atenta e o respeito da sociedade em geral e das pessoas que apreciam as artes em particular.

José de Camarinha partilha com o leitor atento, em cento e setenta e cinco profusas páginas brilhantemente escritas e em mais uma vintena de páginas centrais com fotos, toda uma vida de dedicação ao próximo, todo um exemplo de peleja pelo desenvolvimento económico de uma região. O autor desvenda os meandros das ancestrais artes de sedução, numa autêntica homenagem à poesia que há num relacionamento, um misto de sensibilidade e inteligência na abordagem.

O autor inicia a sua obra com uma confissão, uma autêntica pedrada no charco que, a um tempo, nos impressiona e nos comove deveras. Sei que as primeiras palavras desta obra estão gravadas na memória de todo o leitor atento, mas não resisto a trancrevê-las aqui, citando de cor:

"Quarenta anos depois estou cansado. Gosto e vou gostar sempre de mulheres, mas para mim chega! ".

Depois deste início épico, pleno de força, onde emerge a pujança de uma ideia, o autor partilha connosco todo um conjunto de experiências de vida que nos fazem questionar sobre o sentido da vida, que nos convidam à filosofia. Não querendo levantar o véu sobre a mensagem deste livro magnífico, até porque o volume que cada um de nós tem em sua casa nos dá uma leitura diversa de cada vez que o consultamos, não quero deixar de relembrar o final da obra, em que José de Camarinha sistematiza todo o seu pensamento num conjunto de conselhos que todos nós devemos integrar nas nossas vidas, afinal é nosso dever pugnar por um mundo melhor, mais justo, um lugar solidário. Sem mais delongas, relembro os dez conselhos que deverão nortear as nossas vidas:

1 - Nunca vá dormir sem ejacular primeiro
2 - Tenha um ar másculo
3 - Leve uma vida saudável e mantenha-se em forma
4 - Torne-se inesquecível na primeira noite de sexo com uma mulher
5 - Nunca revele um segredo a uma mulher
6 - O homem tem de controlar sempre a situação
7 - É fundamental contrariar a vontade de uma mulher
8 - Nunca pagar para ter sexo!
9 - Provoque-lhe ciúmes e despreze-a
10 - Autoconfiança.

É limpinho. Vou votar Sócrates!

A primeira vez que me aconteceu foi na piscina do Grande Hotel da Figueira, a piscina lá de casa, como diziamos quando eramos miúdos, dada a proximidade e a quantidade de tempo que lá passávamos.

Cheguei com elas duas, eu de Expresso na mão, direita à esplanada, e elas para a água mesmo.
Pedi dois bilhetes de criança e a rapariguinha da caixa olhou para a Clara e atirou um seco "essa menina não".
Pronto! Ia haver festival, de certeza, mas eu tinha de tentar outra vez antes de abrir as hostilidades. 
- Dois bilhetes de criança, faz favor.
O mesmo olhar, a mesma resposta. Ainda na fase civilizada, mas pronta a lançar os misseis, explico que a menina, a Clara, sabe nadar muito bem, que está habituadíssima a piscinas e que eu vou ficar na esplanada.
Acho que a rapariguinha da caixa percebeu que havia qualquer coisa errada no meu tom de voz, dada a rapidez com que explicou que o não era um não de não é preciso bilhete. A menina não paga!
Boa. Uma borla. A primeira borla da vida da Clara. A primeira vez que os olhos à chinesa lhe tinham dado uma vantagem que fosse.

Voltámos a ter outras. No Oceanário, no Zoo, no Pavilhão do Conhecimento, no Zoomarino.
Agora já sei que não paga, mas mesmo assim fico sempre à rasca. Nunca, por nunca, tive coragem de chegar a uma bilheteira e dizer A minha filha é deficiente, não paga, pois não? 

Caraças, pode ser imbecilidade minha, mas tenho a sensação que a estou a usar, a usar um azar para poupar uns trocos, que só me falta pôr-lhe um letreiro e sentá-la num passeio com um acordeão (e daí, bem pensado, talvez esta fosse uma boa ideia, que a crise é lixada...).
Ora, resumindo. Temos andado a ter umas borlas nas bilheteiras dos privados mas do Estado, do pai, da mama principal, nem um chavo em 14 anos. Sim, nunca pedinchei, mas também nunca tive. Era isto, e mais aquilo, e aqueloutro, e és uma burra, e o dinheiro que podias ter recebido, e isso tudo e mais alguma coisa a juntar à minha enorme dificuldade em pedir o que quer que seja, e lá se vão 14 anos de subsídios nunca pedidos e menos ainda recebidos.
Até que chegou o Sr. António. E o Sr. António hoje lembrou-se de telefonar. Parece que trabalha na secretaria lá da escola e apeteceu-lhe, hoje, sete anos depois da Clara ter começado a frequentar o ensino público, ligar-me para me informar que ela  não tem de pagar as senhas da cantina.
- Ai não??!!....
- Não. A Clara tem direito ao escalão.

Escalão! Palavra mágica.
E enquanto o Sr. António continuava a falar de senhas de cantina a minha cabeça já bitava.
Ora muito bem... Escalão... Saco o Magalhães com o código da Xica, que para ela tenho de o pagar mas esse é barato, e a Clara leva com um portátil XPTO.... Quer-se dizer..... Leva aqui com a Magda, que já tem quase dois anos e começa a ser pré-histórica, e eu, euzinha, papo um portátil tipo Ferrari sem pagar um chavo!...

Garantido! O gajo, que não é o Sr. António, tem o meu voto.