Barras paralelas.

Uma conversa séria no messenger e uma troca de comentários non sense nas caixinhas. Com a mesma pessoa. E sem nunca se misturarem as bolas.

Onde é que anda a Gaija do Norte?

É que eu sei que ela deve estar a precisar de miminhos e eu sou um verdadeiro arsenal de mimo ao dispor dela...

Grande lata a do Santo!



Vai passear e ainda manda isto, com o recado que está bem acompanhado e que é para publicar.... (na próxima vê se tiras uma fotografiazinha melhor...)

Vizinhança!


(e se acham que exagero cliquem ne foto e vejam o monstro...)

Vale a pena "reportar"...



Já tenho net rápida outra vez.... Ainda bem que passei a manhã a chatear os senhores.


ass.: Senhora Maria

E só uma me podia deixar preocupada, que o resto não sei o que é...



A Cadbury Portugal esclareceu esta terça-feira, em comunicado, que no mercado português não foram distribuídos produtos provenientes da China ou com ingredientes lácteos chineses.





O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que as famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas apesar do actual quadro de crise e elogiou a capacidade de resistências das instituições financeiras nacionais.

meter-se na boca do lobo

Assaltou a PJ, mas foi apanhado

O furto aconteceu na madrugada de 26 para 27 de Setembro e, após conseguir-se introduzir nas instalações, o meliante levou vários objectos, não identificados no comunicado.

E já lá vão quase 48 horas de tortura.

A minha net está lenta. Muito muito lenta. Tão lenta que nem posso escrever sobre comida que quando chego ao fim já a sopa azedou. Hoje de manhã, na perspectiva de mais um dia alentejano, telefonei aos senhores.
Gosto muito de telefonar aos senhores. Primeiro porque nos fazem aquele teste dos números e 1 e 3 e 2 e outra vez 1 e 6 e cardinal e agora não ouvi e lá volta tudo ao princípio. Depois porque nos perguntam sempre o que não fazemos a miníma ideia, como o número que estava na parte inferior do lado esquerdo da caixa que foi para o lixo há milhões de anos ou, em alternativa, as três últimas extracções do Totoloto. Eu tenho para a troca o número de contribuinte, BI, placa, passaporte, telefone, factura, sapato, quilómetros do carro ou pulgas no Sebastião, mas tenho sempre pouca sorte que nenhum destes serve. Finalmente chegamos a um acordo e depois de adivinhar o número da porta de casa da sogra do senhor estou finalmente identificada e passo a ser a Senhora Maria. E a senhora Maria está ao pé do computador, pois claro que está, até já tem quase é o próprio pé em cima do computador e o baile está prestes a começar. Inútil dizer tudo o que já tentei e qual é o meu palpite, que vou ter de fazer tudo de novo e muito devagarinho. Ligar placa, desligar placa, ir para a página da placa, lindo!, duas horas para abrir, a net está lenta, lembram-se? foi por isso que telefonei..., alterar IP, aceitar, fechar, desligar, tentar de novo, e um, e dois e três e nada. Finalmente faz-se luz naquela cabecinha - o seu pc está cheio de spyware, tem oito ligações activas e não devia ter nenhuma! Mas... mas... oiça não.... Já lhe disse, esse é o problema. Corra um anti-spyware! Mas, pode ouvir-me? Eu acho.... Boa sorte! Corra o spyware.
Bonito, só me faltava dizerem-me que a Magda foi invadida por aliens! Não acredito, mas vamos fazer o que os senhores querem. Se o meu programa diz que está tudo bem é melhor tentar outro. Toca a descarregar o Windows Defender que o Bill sempre é mais oficial a expulsar invasores. Duas horas a descarregar o programa - net lenta!!!... - para no fim clicar em instalar e aparecer mais um simpático aviso do Vista - "Não necessita instalar este programa. Faz parte dos programas de origem do Vista" . Nesta parte já invento obscenidades que as que sei não chegam. Corro o tal Defender de origem e nada. Nadinha. As ligações que apareciam, tal como tentei explicar ao senhor, eram ligações ao router, que tenho isto em rede, e as outras estavam mais closed que os olhinhos dele.
Nova corrida, nova viagem e desta vez para me jurarem que nesta zona a net sempre teve só 2G. Pois só. E eles sempre tiveram idiotas a atender os telefones. Mais um palpite e sigo para uma actualização da, e isto até parece importante, firmware. Online, claro! Mais duas horas, a última versão instalada e continuo a parecer um caracol com várias patas partidas.
Terceiro telefonema. Felizmente os senhores do Kanguru podem não dar uma assistência muito expedita, mas sempre é dada, que as chamadas são gratuitas. No Sapo a assistência é vendida que eles não dão nada a ninguém, nem a assistência própriamente dita.
Jurei a mim mesma que desta vez ia conseguir falar e dizer tudo o que me ia na alma. E contei a história do fim de semana, e da chuva, e dos raios, e dos trovões, e do vento e de tudo o que me lembrei, e pedi encarecidamente para verificarem as antenazinhas. Sei lá, talvez, sem querer dizer mal, mas podia até ser não é?
Pronto. Telefonaram agora. Allô Allô, Kanguru chama Senhora Maria. Temos uma novidade para si. Foram detectados problemas na antena que serve a sua área mas já foram reportados. Fixe! Ainda bem, que eu estava a tentar reportar qualquer coisinha desde as 10 da manhã e ninguém me ligava nenhuma. São uns ingratos, é o que são!

Queriam mais notícias? Estas chegam!

Pois.....o parto está difícil.

Já tentaram com forceps, com ventosas.....até já tentaram com o desentope canos, mas nada. Não há meio de regressar em pleno . Quer dizer, nem a metade, quanto mais em pleno.

Não sei se já te tinha dito, mas.... *********

Já te tinha dito que*****.... ando aqui mais ou menos *****, o que quer dizer que ******** ou simplesmente, como estava a fazer na Cabra, dar asas à imaginação .


****** dar-te um lamiré e justificar este meu eclipse.

Para finalizar, um beijo e cumprimentos ao resto das cabras e cabrões de serviço.

Zbeb@

A posta que não queria nunca ter escrito*

Acordei sobressaltada a meio da noite e os meus pensamentos de imediato voaram, literalmente, até ao Shark. Os trovões lá fora nem os ouvia que as voltas na cama tinham outra razão e bem mais carnal. Há muito que tal não me acontecia e confesso que nunca o Shark me tinha feito companhia no sacudir de lençóis, nas palavras que se me soltavam dos lábios, no agitar reflexo de braços e pernas no escuro do quarto onde a noite se ia escoando sem ser dormida. Não sei quanto tempo passou mas já era quase manhã quando o cansaço finalmente me venceu e eu cai esgotada.
Hoje carrego no corpo as marcas da violência da noite e da cabeça não me sai a estranha e terrível imagem do Shark na minha cama.
Não consigo aguentar muitas mais noites como esta e já tomei duas decisões que espero que resolvam de vez este quase martírio - vou acender velas de citronela no meu quarto e nunca mais vou voltar a ler posts destes antes de me deitar.

* Título plagiado ao Shark mas tem de sofrer algumas consequências pelo que fez.

Espectáculo, hã?

Uma segunda-feira novinha em folha para a malta desbundar.
Pode lá haver coisa melhor?

Paul Newman

Derby





No estilo temos vencedor, logo espero que no jogo o vencedor seja o outro.

O meu fim de semana


Ah ah ah... Era só para animar... Este recorte é de 87, praí...
O meu fim de semana é com os miúdos, pois este é meu. É assim que funcionam os pais que não estão juntos. Divisão obrigatória do tempo. Horários. Trocas de dias...Trocas de favores...
Ainda bem que nos damos bem, que faria se não...
Hoje tenho então que dar de comer ao pessoal, fazer compras de super, levar o miúdo à natação, que é ali no ginásio, entretê-los por casa, e se ficarem muito agitados passear o cão com eles ou levá-los aos avós. TPCs não há, que começaram as aulas, e o tempo está bom para sair, eles é que não querem. Gostam muito dos computadores e jogos, e wrestling entre eles dois...
Parece que dá um filme bom na TV e vou ver se não stresso. Parece que trabalho mais é assim...

'tá quase!

Nem estavamos à espera que voxelências se esquecessem.

O ministro dos Assuntos Parlamentares garantiu, esta sexta-feira, em resposta a Cavaco Silva, que as matérias sociais e o crescimento económico não vão ser esquecidos no orçamento de Estado.

Claro que não, que estas coisas sociais são as mais importantes de todas e não se podiam esquecer das verbazinhas para as despesas, porque ninguém aguenta tanto sacrifício pela pátria sem os jantarinhos pagos, as recepções em Queluz e umas idas lá fora para ver as modas. E o crescimento económico é lógico que deve ser incentivado que se alguns senhores, os únicos e por acaso até é tudo amigo mas isso são só coincidências engraçadas, têm estado a crescer eles é que podem ser ajudados, que o resto da malta já está tão mirrada que era só desperdiçar adubo.

Não me lixem!



E a culpa é da Batman@na que me mandou lá para o site da Comercial tentar a minha sorte. E depois foi o que se vê, tinha de me sair este cromo e ainda por cima com a história do boazinha e tudo.
Não sou de me ficar, não não, e vai daí toca de ver o resto, que o conheça-se a si próprio é sempre uma boa filosofia de vida. Querem saber o que dizem as más linguas de mim? Eu digo, mas se se riem nunca mais vos falo.
Então vamos lá a isto e apresento-vos A Lagosta! Nem mais, que se fosse um petisco para comer à beira mar era marisco, que o que quero é boa vida e tenho gostos requintados e não estão a imaginar uma conquilha a corresponder a essa descrição, pois não?
Não sei é como pago tanto bom gosto já que vou ser milionária no Dia de S. Nunca à Tarde, mas no Natal terei como presente um fabuloso automóvel. Deve ter sido confusão, que também acham que a Carrie, aquela do Sexo e da Cidade é a minha cara chapada, apesar de afirmarem que o desenho animado Ruca vai com o meu tom de pele e o A-Team me fica a matar.
Ainda a procissão vai no adro e já nem sei que diga.
Claro que posso sempre pensar que os cartões Gold me vêm do meu gosto por aventuras sexuais apimentadas, mas como também acham que por não ser exibicionista o sítio ideal para ter sexo é uma tenda de campismo fico um bocadinho à toa. É que é uma no cravo outra na ferradura...
Agulharam um pouco ao apontarem Taquicardia como a palavra que me descreveria fosse eu um beijo. Por aí comecei a ver a luz, mas foi sol de pouca dura. Então eu sou o Maravilhoso Coração do Marco Paulo? Estes gajos ofendem-nos e nem devem ter cara para levar uma chapada. Eu parece que tenho. Devem ter percebido que sou calmeirona e musculada. Só assim percebo ter visto escrito, preto no branco, que não tenho medo de levar uma bofetada e é por isso que a minha frase de engate é "Essa roupa ficava um espectáculo no chão do meu quarto". Nunca devem ter ouvido a teoria das gavetas. Claro que com a roupa no chão do quarto a seguir lá teriamos de ir nuzinhos a correr para a tal tenda de campismo, mas que é isso para alguém que por não se importar com o que os outros pensam faria um dueto com o José Cid?
Agora a parte séria. Eu sou um show de bola e o meu apelido é Selecção do Brasil. Garantem que vivo descontraídamente (só posso, que atrasada como estou o melhor é relaxe mesmo...) e nunca faço dramas. Nunca? Vão sonhando! Se não tenho o que quero é drama e de novela.
Finalmente o mais intrigante de tudo. Porreiraça! Juro que é o que me chamam como ex. e até me vêem a lavar a louça e a carregar caixotes de mudanças, e aqui têm razão que até eu já me vi nessas tristes figuras, mas, apesar de tanto altruísmo, nas muitas coisas que já me chamaram porreiraça não consta. Nem mesmo algo ligeiramente parecido. Talvez os meus ex vejam mais fundo em mim, porque afinal eu sou O Padrinho! Ora até que enfim que fazem jus ao meu valor. Gosto das coisas feitas à minha maneira e não tolero ser contrariada e têm amiga para a vida mas quem ousa desagradar está em maus lençóis. Os incautos ficam com aquelas propostas verdadeiramente irrecusáveis... Lá na Comercial devem estar neste momento a receber a cabeça de cavalo a que têm direito.

sms de gaijas

(depois de um telefonema)


Gaija 1

"- 2 Horas!"

Gaija 2

"- Estava a escrever-te um sms exactamente por causa disso! O k é k duas gaijas têm tanto para dizer para ficarem DUAS HORAS ao telefone? O QUÊ?"

Gaija 1

"- Trivialidades... sem pormenores, senão eram 5 ou 6"

Gaija 2

"- Cala-te! Estou a estender a roupa e a cair de sono!"

Gaija 1

"- Já me calei"

lembrei-me destes



enquanto falava com a Gaija do Norte. 

Um destes dias ainda compro um "patinhas".

G de Gigante

Se tem uma ideia para ajudar o mundo mas não o dinheiro para pô-la em prática, envie-a à Google que anunciou a iniciativa 10 to the 100th, destinada a escolher as cem melhores ideias entre internautas de todo o mundo e repartirá 10 milhões de dólares para as tornar realidade.

Quem tiver uma ideia que acredite possa ajudar um grande número de pessoas pode enviá-la ao motor de busca, depois preencher um formulário simples na web www.project10tothe100.com antes de 20 de Outubro próximo.

As coisas que se encontram com o Google

Não é que andava eu aqui a fazer uma pesquisa no meu Google desktop, à procura de um contrato feito há uns anos e que precisava de rever, e descubro que o tipo que o assinou, e que para mim era só um tipo que até tirava umas fotografias e pronto, é um dos melhores fotógrafos mundiais de mulheres nuas, com quase meio milhão de entradas no Google e prémios atrás de prémios?
Alguém quer o número do telemóvel?

Finlândia teme novos massacres nas escolas

O homem mais bonito, mas bonito mesmo, com quem alguma vez falei chamava-se PH e estava sempre zangado. Não percebia porquê tantas dificuldades, não percebia como era possível ser tão complicado o que para ele só podia ser simples.
Era Finlandês, recusava-se a deixar a pistola em casa cada vez que vinha a Portugal e achava que erámos um país muito estranho, que lá, no sítio civilizado de onde vinha, era tudo muito mais fácil.
Muito mais, sem dúvidas!

Aprendam que eu não duro sempre.

Vocês, consumidores desenfreados, já pensaram que mundo querem deixar aos vossos filhos? Ai separam o lixo e usam papel reciclado e lampadas de baixo consumo e patati patata? Mas que é isso comparando com tudo o que desperdiçam depois?
Sexo, como é? Sim, sexo!, é que tenho a certeza que andam para aí a tentar criar ambiente sem se preocuparem sequer em protegê-lo (o "lo" é o ambiente, claro, que com gente crescida e responsável penso que não preciso de falar noutros tipos de protecções...).
Pensando no aquecimento global que só este blog deve andar para aí a provocar, e não querendo ser acusada de ter causado a destruição da reserva natural de gansos da Baixa da Banheira, deixo-vos o Guia Greenpeace para Sexo Amigo do Ambiente.
Ficam três ou quatro ideias para quem, por já estar de calças na mão, não tiver tempo de seguir o link.

.Usa ecolubricantes
Nada mejor que la lubricación natural. La lengua siempre será un buen instrumento para ello, pero si necesitas usar alguno externo, entonces te recomendamos que nunca uses lubricantes hechos a base de petróleo, como de aceite o vaselina, por ejemplo. Usa los que son a base de agua y otros que son resistentes a ésta como los de silicón.

. Apaga las luces
Desde la cama puedes comenzar una verdadera
(R)evolución Energética. Así que siempre apaga la luz. Las velas de cera de abeja y parafina, y no las hechas con base de petróleo, pueden ser muy románticas. Si no te resistes a ver a tu compañer@, entonces, fácil: haz el amor durante el día.

. Esclavo de la pasión, no del petróleo
Si te gustan las emociones fuertes, entonces tal vez hayas intentado alguna vez usar algún objeto, ropa o accesorio de Policloruro de Vinilo, mejor conocido como PVC o vinil. En lugar de eso opta por accesorios de sustancias naturales como el caucho, látex o piel.

.Sexo Verde
Si te gusta el “spanking” asegúrate que las palas sean hechas de madera sustentable también. Hay muchas marcas en el mercado que puedes encontrar de madera certificada (sobre todo si las pides por Internet), usa aceite para masaje orgánico, ropa interior o de dormir orgánica también. Recuerda que el proceso de producción para algodón convencional y su blanqueado es uno de los más contaminantes que existen.


. Amor reciclado
Usa los envases de diversos productos empaquetados y decóralos de manera linda, sexy o hasta cursi para colocar los
productos que utilicen más frecuentemente en su recámara: condones, lubricantes, juguetes, cajas de cartón para regalar lencería, etcétera.

E agora façam-se à vida. Ou à cama (mas antes vejam o que a Greenpeace aconselha também para a cama, a própriamente dita.).

A crise toca a todos.


O padre Virgílio Antunes, que toma hoje posse como reitor do Santuário de Fátima às 11:00, na Igreja da Santíssima Trindade, disse esperar um mandato «sem grandes sobressaltos»

Homem de pouca Fé!, que em Fátima devia era esperar ter grandes e luminosos sobressaltos numa azinheira qualquer. Ou será que já nem por ali se acredita em milagres?

As cartas de amor são ridículas...

Mandaram-me esta cartita há muitos anos, deve ser uma tradução de um livro qualquer...

Eu quisera...

Eu quisera que encontrasses nos meus olhos todas as respostas que não te sei dizer
Eu quisera não precisar de palavras para que compreendesses todos os meus pensamentos
Eu quisera que tivesses a total segurança de que sempre e seja como for a teu lado estarei
Eu quisera que procurasses dentro de mim tudo o que ainda não consegui encontrar
Eu quisera que estivesses realmentes realmente segura que és tudo para mim
Eu quisera que todo o meu ser não tivesse um só segredo para ti
Eu quisera muitas coisas mas resumindo, eu só quero que tu me queiras.

Iyad Ben Ahmed

A Encomenda das Almas

Eram uns textos que o Miguel Esteves Cardoso escrevia (EXPRESSO, 11 Julho 1987)

" 41. É tão giro ter um estúpido!

Antigamente, segundo me dizem, os homens não se queriam bonitos e as mulheres bonitas tinham fama de serem estúpidas. Hoje, sabe-se lá por que estranho fenómeno genético, mudou tudo. Portugal já não é o que era. Por um lado as mulheres bonitas são cada vez mais inteligentes. É praticamente impossível encontrar uma "loura estúpida". Por outro lado, os homens agora querem-se e chegam a exigir-se bonitos.
Embora me custe dizê-lo, os homens estão cada vez mais estúpidos. Todos os homens. Os feios e os bonitos. Bem sei que o sexo forte foi sempre fraco em inteligência, mas tanto assim também não. A prova de que as mulheres são mais inteligentes está no desprezo que votam os desportos em geral, e os desportos menos pensativos em particular. Qualquer rapariga com dois dedos de cabeça prefere ter um surfista a ter de fazer "surf". (...) Um dos mitos que gostamos de ter - nós as pessoas sem sorte de sermos simultaneamente umas grandes brasa e uns grandes génios - é a ideia de que a inteligência e a beleza são mutuamente exclusivas, isto é, que não costumam andar juntas. Dizemos das pessoas bonitas que se calhar são estúpidas como um taco de bilhar. Desejamos que sejam, para nos vingarmos. E não são. É muito aborrecido ser uma pessoa bonita nesta sociedade porque toda a gente presume que Deus tirou na inteligência o que esbanjou na beleza. E há como muita gente sabe, muita gente estúpida como um pneu Mabor que para mais é feia como a recauchutagem. De facto pode-se ser giro e inteligente ao mesmo tempo, e é por isso que as raparigas são mais inteligentes que os rapazes. A ideia de que se é giro ou é inteligente, se é desportista ou intelectual, é tipicamente uma ideia de rapaz. Que outro anormal namora uma rapariga gira, conversa com uma inteligente e depois casa com uma que não é muito gira nem muito inteligente, para não dar muito nas vistas? Só um rapaz..."

Polémico... será que já mudou de ideias?

Hoje apetecia-me...

... escrever uma carta de amor.
Daquelas tontas, ridículas, ingénuas, que começam com um meu amor, fazem juras mil e promessas sem fim e acabam num amo-te muito.
Apetecia-me.

A remexer no baú

Decidi recuperar um antigo post e voltar a publicá-lo. Acho que vem a propósito. Se queremos falar de não discriminação temos, um dia, de conseguir fazer isto. O resto, tudo o resto, vem por acréscimo.

Como eu gostava que os meus dez anos tivessem sido assim

- Mamã, está ali o A.
- Quem é o A.?
- O A. é o miúdo mais corajoso da escola.
- Ai é, que é que fez?
(confesso que imaginei-o com uma lagartixa na mão, ou a trepar ao telhado, ou mesmo a enfrentar um professor injusto...)
- o A. disse na frente da turma toda que gostava de ser menina.
(três glups em seco...)
- não achas que foi de muita coragem, mamã?
- claro que acho, mas como é que vocês reagiram?
- ninguém disse nada, que não havia nada para dizer.
- e não voltaram a abrir a boca?
- sim, já falámos nisso. Achamos todos que foi preciso coragem para dizer que queria ser menina e toda a gente o admira. É o mais corajoso da escola.

Pois é. Talvez estejamos a fazer alguma coisa certa. Talvez os nossos filhos, aqueles miúdos que não sabem brincar e só vêem televisão e querem é msn e sms e essas coisas todas horríveis que fazem e o que vai ser deles que no nosso tempo é que eramos educadinhos, esses mesmos, talvez eles estejam a crescer muito, mas muito, melhores que nós.

publicado aqui em 26 de Fevereiro

radicalmente triste

Antes:

"A SIC Radical e o Curto Circuito vão realizar este ano a 5a edição do CC casting para eleição de um novo apresentador.

Reconhecidamente uma das grandes escolas de comunicadores, o Curto Circuito realiza em 2008 um novo Casting. Desta vez só para rapazes. É mais uma odisseia na procura de uma nova cara para um dos programas mais carismáticos da TV nacional.

25 rapazes vão disputar entre si o lugar na bancada Curto Circuito, ao lado de Joana Dias, Solange F. e João Manzarra."

Depois:

"Após a vitória no Casting, Rui Pêgo encerra com este texto os conteúdos do CC Casting Web, o site que serviu de base à apresentação de cada um dos 25 candidatos".






Até aqui nada de novo, certo?
E se eu agora disser que o vencedor é filho de uma conhecida apresentadora de Televisão?
Pois! Nada de novo, também, não é?
Eu até quase que acredito que entre os 25 ele era mesmo o melhor, e ser filho de quem é não teve influência nenhuma na decisão. Digo quase, porque até vi o desempenho do menino e mais dois ou três concorrentes e nesta pequena amostra, para mim, não seria ele o vencedor e não tem nada a ver com a árvore geneológica.
Perplexa fico eu com a ingenuidade do menino que acha que ganhou sem ajuda e que lutou que nem um huno.

Deve precisar de tempo para preparar a boda.

Sócrates recusa casamentos homossexuais por não estarem na agenda.
"O casamento de homossexuais não está na agenda política nem do Governo nem do PS. Não está no programa do Governo do PS e o PS não anda a reboque de nenhum outro partido"
, disse José Sócrates.

Nem todos os caminhos vão dar a Roma.

"As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda"

Fui ler o Projecto de Lei 206/X do Bloco de Esquerda que propôe a alteração do regime do casamento civil de forma a que possa ser alargado a pessoas do mesmo sexo e irritou-me logo esta coisas das deputadas e dos deputados e de as deputadas virem em primeiro lugar. Detesto o políticamente correcto e não percebo porque não aparece assinado pelo Grupo Parlamentar e têm de indicar os sexos dos senhores. Desculpem, das senhoras e dos senhores. Isto sim, acho discriminação.
Pronto, já protestei, agora passemos ao resto.

Casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Tenho andado para aqui às voltas com isto e não consigo perceber esta luta. Começo logo por não conseguir perceber como é que alguém se pode querer casar pelo civil. É costume? Está bem, mas isso não chega. Compreendo e aceito o casamento como Sacramento, percebo o casamento religioso, não percebo o civil. E, já agora, percebo ainda menos o dois em um, o automatismo da transcrição imediata, o facto de a Concordata obrigar a que todos os casamentos católicos sejam obrigatóriamente transcritos para o civil. E se eu quiser a benção de Deus pai e não quiser a benção do pai Estado? Sim, sei que posso casar em Espanha porque lá, sensatamente, as pessoas podem casar na igreja sem ficarem casadas no Civil, mas percebo pouco o espanhol e ainda prometia alguma coisa que não devo.

Casamento civil, o que é isso? Peguei no Código Civil e fui espreitar outra vez, que podia jã não estar lembrada. Muito bem, começa por se dizer que o casamento é um contrato e eu começo logo a ficar eriçada. Contrato? Então sigamos para as clásulas contratuais, os direitos e deveres dos conjuges que a lei estabelece. Estão por lá alguns, quatro ou cinco. Todos muito genéricos e cheios de boas vontades. Com que finalidade? Não sei, não percebo, que resultados práticos não há nenhuns. Há muito que, mesmo em caso de divóricio litigioso, o conjuge declarado único ou principal culpado na violação do contrato não podia ser punido. A culpa só era estabelecida já que tinha consequências práticas em termos de bens e de alimentos, mais nada. Agora, com a nova Lei do Divórcio, nem culpas há para distribuir, portanto passemos por cima das regras de bom comportamento que não fazem lá nada.
Filhos, vamos aos filhos. Nada, nadinha. Antigamente ainda se presumia que pai de filho de mulher casada teria de ser sempre o marido, agora nem isso. E no que toca aos direitos e deveres dos paizinhos e maezinhas e das crianças, o casamento ou a falta dele não é tida nem achada, que não mudam uma virgula. Não é por aqui que se vai lá.
O que é o casamento? Um registo publico onde se diz que se quer constituir uma família. Consequências práticas? Só ao nível dos bens, mais nada. Tenho muita pena, mas tudo se resume a isto, aos bens. À facilidade da prova, que sempre se tem um papelinho, e ao vil metal. Triste não é? Ou pelo menos burocrata e interesseiro. São estas as únicas diferenças, na prática, entre um casamento e uma união de facto apesar de a união de facto me parecer uma coisa mais séria, mais digna, que pelo menos por alí não se brinca às famílias. Quem se quiser casar, homem e mulher por enquanto, só tem de dizer que quer constituir família e está feito. Três meses depois podem chegar lá, ao sítio do costume, e dizerem agora já não queremos, e está desfeito. E nem as prendas são obrigados a devolver. Famílias IKEA.
Nisso a união de facto é muito mais responsável, conservadora até, que obriga, pelo menos, a um longo noivado. Aí dizem que são uma família? E acham que isso é assim? Venham cá daqui a dois anos e se se aguentarem juntos podemos começar a conversar.
Ainda acham que o casamento é que é assunto sério?

Mais diferenças? Algumas. O regime de bens do casamento, que nele é automática a partilha mas que até pode ser acordada de forma diferente, e as heranças. O regime de bens seria fácil de resolver, bastava mais um artiguinho na Lei das Uniões de Facto. As heranças ainda deviam ser resolvidas mais depressa, era uma alínea a menos no Código Civil. Num casamento os conjuges são sempre herdeiros legitimários um do outro. Isto quer dizer que mesmo que façam testamento não podem deserdar o outro. Concorrem, é assim que se diz, junto com os filhos, ou os pais se quem morre não tiver filhos, e podem ter direito até a uma quota maior na herança, se os filhos forem muitos, que menos que 1/4* dos bens não podem nunca receber. Justo? É por isto que se luta? Eu acho que isto é mesmo o mais injusto no casamento. Então eu, que tenho duas filhas, se me casar e morrer no dia a seguir o meu marido vai herdar tanto como elas? E eu não posso fazer o que quer que seja? Fico logo com uma vontade de me casar que nem imaginam. Alterem lá o Direito Sucessório, deixem-nos fazer testamentos à nossa vontade, resguardando os filhos, de acordo quanto a isso, e tirem o casamento da mesa.

Mudado isto só nos fica a adopção, mas aí ninguém se chega à frente. A Lei das Uniões de Facto reconhece uniões de pessoas do mesmo sexo, com direitos iguaizinhos, menos no que diz respeito à adopção. A minha opinião? Altere-se também e equiparem-se as situações. Vivemos num país onde durante anos seguidos foi possivel a uma criança ter um pai com nome e morada e uma mãe incógnita e isto, digam o que disserem, é muito mais surreal que ter dois pais ou duas mães. Não tenhamos medo das palavras e toca a tirar a cabeça da areia.

Casamento civil entre duas pessoas do mesmo sexo? Mas se o casamento entre duas pessoas de sexos diferentes já não é mais que uma ficção, tipo história da carochinha, onde queremos chegar com isto? Ao respeito? À não discriminação? Por aqui? Usando um dos institutos menos respeitado do nosso sistema legal?
É triste, muito triste, que seja necessário vermos uma etiqueta para podermos respeitar, ou não discriminar, ou o que seja. O respeito por todas as pessoas, a não discriminação, devia ser-nos inerente e não precisarmos que nos dissessem que é assim. Isso não é respeito, é respeitinho e pouco.
Uma coisa garanto. Se por acaso, nas voltas da vida (espero bem que não, que gosto muito de gajos...) quisesse formar uma família com outra mulher havia de me roer toda para levarem connosco da mesma maneira que com os chatos dos vizinhos casados há 40 anos, lutava por direitos iguais, mas nem que me oferecessem o casamento numa bandeja eu o aceitava. Como posso querer ser respeitada usando o que não me merece respeito nenhum?

*não é bem bem assim mas falar de legitimas e quotas disponíveis é chato e muito técnico...

Serviço Público

"Se o programa em causa ( O Momento da Verdade, SIC ) até realiza valores positivos, proponho que aqueles que o promovem aceitem ser concorrentes. Se não aceitarem a proposta, pedia- -lhes o favorzinho de dizerem, publicamente, porquê. Se aceitarem, como espero, que me avisem quando vão aparecer na pantalha. Tenho a certeza que vão ter picos fantásticos de audiência. E prometo que, nesse dia, estarei burguês e confortavelmente sentado em frente ao ecrã, com uma cerveja geladinha na mão. A assistir ao seu "Momento da verdade". "

J. A. Azeredo Lopes, Presidente do Conselho Regulador para a Comunicação Social

Grande Orgulho

Desde a origem do Homem que a sua forma natural de comunicar com os outros tem sido a “voz”. Na era industrial, o Homem desenvolveu máquinas como ferramentas acessórias da sua força e vontade de modificar o Mundo, visando melhorar as suas condições de vida. Para comunicar com estes equipamentos, desenvolveu interfaces mais ou menos complexas que ao longo dos tempos têm registado grandes progressos, no que diz respeito à simplificação e autonomia. A evolução tecnológica dos últimos tempos tem permitido que os sistemas de interface homem-máquina sejam cada vez em menor quantidade e mais amigáveis e intuitivos. Conquanto, o sonho de comunicar com uma máquina através da “fala”, da mesma forma que comunica com as outras pessoas, ainda não tinha sido possível por limitações tecnológicas. Hoje, felizmente, as tecnologias permitem concretizar este sonho.

Com o projecto TECNOVOZ, Portugal tem a oportunidade de contribuir activamente para o desenvolvimento das tecnologias da “fala” a nível Mundial. Assim, no âmbito deste projecto as mais recentes tecnologias serão aplicadas industrialmente, dando origem a novos produtos e sistemas, alguns dos quais, inovação Mundial.

Com este projecto, Portugal afirma-se como actor pró-activo no desenvolvimento das tecnologias da “fala” e defensor da sua aplicação na Língua Portuguesa. Para a indústria e sociedade civil em geral, pretende-se demonstrar a existência de uma “poule” tecnológica nacional capaz de industrializar sistemas inovadores ao mesmo ritmo, e de igual nível tecnológico, do que ocorre no Mundo Ocidental.

Em síntese, são objectivos fundamentais do TECNOVOZ:

Eu estive na génese disto, já lá vão uns anos.

Parabéns a todos os que permitiram que amanhã sejam publicamente apresentadas estas tecnologias e respectivas aplicações.
Como Português e com algum gosto pela tecnologia e pela inovação, o meu Muito Obrigado.

Porque será?

"O Algarve é a região do país onde a procura de anti-depressivos é menor."

Acabado de ouvir num noticiário qualquer.

@na, queres vir jantar?

(foto tirada daqui)

Se mesmo com travões o comboio não conseguiu parar como podiam parar os outros?

Deste Lado

Deste lado da mesa onde me confronto com a tua ausência, olhar pousado na cadeira vazia que te competia ocupar, perscruto por entre o fumo de uma baforada desiludida cada silhueta à entrada do nosso bar habitual.
E sei que faço mal em aceitar esta ansiedade que me corrói com uma estranha saudade de alguém que afinal ainda não partiu.
Por isso balanço no copo as pedras de gelo enquanto lhes sorvo a frieza das palavras que pretendo dirigir, no momento de me despedir, à tua insolência.

E abdico da interferência do coração tolerante em abono de um desassossego motriz que me arrasta cada vez mais infeliz para longe de uma paixão que tornaste, com a tua displicência, tão disparatada quanto imerecida.

O vício dos outros a mexer com a minha vida.

«O consumo de uma grama de cocaína equivale à destruição de quatro metros quadrados de um bosque tropical, o tamanho de um grande salão de baile»
..."
anualmente (devido às plantações de coca) são destruídos 300 mil hectares de floresta colombiana..."

Francisco Santos Calderón, Vice-Presidente da Colômbia, ontem, em Lisboa.

É que dá-lhes forte e feio.

Tem o título de "Crise Sistémica?" mas podia chamar-se As Farpas que também era adequado. Estou a falar do artigo de opinião assinado pelo Mário Soares e publicado hoje no DN.
Com todas as qualidades e defeitos que lhe reconheço, sempre gostei do Soares. É inteligente, é arguto e arrogante, é uma besta e é um amor de pessoa. E é capaz de escrever um artigo inteiro a arrasar o Socrates e o novo PS sem nunca chamar os bois pelos nomes.
Olhem estas pérolas:

... a Esquerda europeia, que nos anos 70 e 80, dava cartas na Europa, com líderes da qualidade e coragem de Willy Brandt, Mitterrand, Schmidt, Callagham, Olof Palme, Kreisky, Felipe González, Nenni e Craxi, após o colapso do comunismo, começou a perder terreno e a deixar-se "colonizar" pelo pensamento neoliberal de Blair e Schroeder e da chamada "terceira via" (hoje desacreditada).

Se tivermos em conta a evolução - e o desnorte - dos partidos de Esquerda, nos grandes países europeus - o SPD, na Alemanha, o New Labour, no Reino Unido, os socialistas, em França, a "nova democracia", na Itália, para só citar os maiores - constatamos facilmente o declínio dos partidos que se reclamam da social-democracia, do trabalhismo, do socialismo democrático e da própria Internacional Socialista, cuja voz, hoje, quase deixou de se ouvir.

É preciso, pois, repensar a Esquerda reformista, na perspectiva de fazer face, com êxito, à crise e de encontrar outro modelo económico, social e político ... para dar um novo élan à Europa (paralisada), responder à angústia e ao pessimismo dos cidadãos, quanto ao futuro, reforçando a justiça social. Voltar aos valores éticos - que foram sempre bandeira da Esquerda -, ao civismo (contra o enfraquecimento dos Estados), contra as sociedades de mercado e dos negócios pouco transparentes, lutar contra a corrupção e o tráfico de influências. Voltar à militância em favor da paz e das negociações para resolver os conflitos, lutar contra a precariedade do trabalho, contra as desigualdades, a injusta distribuição dos rendimentos, pela inclusão social, contra a degradação do ambiente e pela ordenação do território. (... ) E velar para que as mulheres e os homens de Esquerda, que cheguem ao poder nos Estados ou nos partidos, sejam pessoas impolutas, que saibam distinguir os negócios privados do serviço público.

Foram os lobbies dos interesses, a imoralidade dos dirigentes dos bancos e das empresas, as grandes negociatas, envolvendo políticos, e o tráfico de influências, numa palavra, a promiscuidade entre a política e os negócios, que desacreditou a política e nos conduziu à crise em que nos encontramos. Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo.

Desculpem qualquer coisinha.

Sabem quando nos fica uma coisa cá dentro a moer e que, mesmo sem darmos conta, vem à tona de vez em quando para lhe darmos mais umas voltas? Hoje andei assim durante a tarde e foi um post da @na, no Fios Soltos, que me pôs assim. Mais precisamente este post, que diz isto "ao longo da minha vida, tenho conhecido muitas mulheres extraordinárias." E isto "Não conheço homens extraordinários.»
As frases não são da @na, mas também não foi isso que me pôs a pensar e sim este conceito de extraordinário e a sua distribuição por géneros. E andei a dar voltas e mais voltas a pensar se conhecia algum homem extraordinário.
Foi aqui que comecei a ruminar e a deixar de conseguir digerir. É que não consigo, quando tento atribuir extraordinariedades, pensar em homens ou mulheres, porque o pé foge-me logo para as pessoas.
Desculpem-me as gaijas, mas agora não sou gaija, sou só eu, eu como me encontro comigo cá por dentro.
Temos andado por aqui a bater no ceguinho, que isso eles, os gajos são ceguinhos, mas nestas alturas tenho de deixar de ser cabra por um bocadinho, porque mesmo de serviço tenho direito a folgas.
Tirando o facto de me sentir atraida por eles e conseguir tomar banho com elas sem me babar, não vejo muito mais diferenças entre homens e mulheres. Nunca vi, não devo conseguir começar a ver agora. Se uns são de vénus e os outros de marte não sei, mas como também não sei de que planeta vim eu não posso distribuir moradas sem correr o risco de me enganar na direcção.
Não sei por onde passa a linha do extraordinário mas se é o diferente do que é vulgar, ordinário, então conheço gente assim. Homens e mulheres. Mas se o extraordinário está para além da minha vida comum, se não se cruza com ela, então não conheço extraordinários, mas só gente boa. Homens e mulheres.
Considerando que o critério de avaliação é o mesmo, se não passa, e não pode passar, por arrepios de pele ou danças de sedução, não consigo encontrar qualquer diferença entre eles e elas. Há gajos que são umas bestas, e normalmente têm mãezinhas, mulheres, ora pois!, tão bestas como eles e há mulheres que não valem o ar que respiram e normalmente estão acompanhadas por nódoas com um pénis. E há gente, muita gente, de quem gosto, o que faz delas, como a raposa fez à rosa do tal principezinho, únicas no mundo para mim. Extraordinárias, portanto.
Conheço homens assim. Muitos, ou talvez só alguns, que também não conheço tanta gente assim. E conheço mulheres assim. Muitas, ou talvez só algumas, que também não conheço tanta gente assim.
E vem-me já cair no colo aquele pai sozinho que eu costumava encontrar nas reuniões do PIP, um tal Projecto de Intervenção Precoce. Vivia numa aldeia lá perto, tinha quatro filhos e vivia sozinho com eles. Um deles, a D., tinha paralisia cerebral. Na altura devia ter uns dez anos e ele, todas as quartas feiras, largava a obra onde assentava tijolo, vestia umas calças lavadas e arranjava-a como se de princesa se tratasse, e tratava!, e sentava-a na cadeirinha dela e vinham os dois ter connosco. E ele não tirava os olhos dela. E ela abria e fechava os dela e o sorriso dele abria e fechava ao mesmo ritmo. E jurava, garantia, apostava a própria vida, em como estavam a sorrir um para o outro, em como aquilo era comunicar. Eu nunca consegui ver mais nada que não fosse uma menina imóvel e uma pessoa extraordinária. Desculpem, mas não reparei no sexo.
Tal como não reparei no da A., puta de passeio do Técnico, mas que um dia teve um filho e decidiu deixar a vida e começar a lavar escadas. Por ele. E que ganhava num mês menos do que costumava ganhar numa semana, e que não tinha contrato nem emprego fixo, nem férias nem feriados, nem Códigos de Trabalho a protegê-la. Mas que cada vez que era preciso ir a Tribunal para contar o que viu acontecer com quem não conhecia, ela lá estava. Correndo o risco de não ter escadas para lavar quando voltasse ao serviço, mas garantindo que passeios não ia correr mais e trabalho não faltaria, que estava a fazer o que a consciência lhe dizia e a vida só lhe podia dar coisas boas na volta.
Pessoas extraordinárias? Talvez, pelo menos na pequenez da minha vida.
Mas tenho algumas mais. Aquelas todas que ficam para além do que é normal, porque ou o são ou eu as vejo assim. Homens? Muitos. O W., o Z., o Z.L., o J.B., o M., o E., o N. Todos eles são extraordinários. Todos eles me apareceram agora com neons à volta que os fizeram brilhar no meio de tantos outros.
Mulheres? Também, mas nestas coisas de se ser muito melhor que nós o ter nascido homem ou mulher tem alguma importância?
A verdadeira questão é se um gajo, o que é diferente de um homem, já me surpreendeu? Já, muitos e muitas vezes. No bom e no mau sentido.
E vou continuar sempre a ser surpreendida. Ou porque amo e a dimensão é outra e o mundo é novo outra vez ou porque amo e a dimensão é outra e o mundo é novo outra vez.
Mas voltamos assim a falar de sexos e não de gentes, homens ou mulheres. E esses, venham de que planeta vierem, seja de vénus ou de marte, se forem gente boa vão ser sempre extraordinários. Para mim, claro.

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construções

Para construir uma relação a dois só o amor não basta, é preciso deixar falar a alma e o coração. Porque eles falam e o que dizem é muito, para não dizer tudo. Guardar cá dentro o que se sente é trancar sentimentos, é não partilhar o que nos incomoda e o que nos faz sorrir, é bloquear lágrimas e riso. Porque às vezes sorrir só não basta.
Uma relação tem de ser alimentada não só de palavras, mas de gestos e atitudes. Sorrir, às vezes é o mais fácil. Expurgar dores e soltar gargalhadas sentidas só alguns têm a capacidade de o provocar ou até de o fazer. Partilhar gostos, preocupações, sentimentos e mimos sem sentir obstáculos que nos impeçam de chegar ao outro nem sempre é fácil, é preciso haver abertura para o fazer e é preciso empenhamento. É preciso, sobretudo querer e querê-lo com muita força, porque para construir uma relação que não desabe ao primeiro encontrão, tem necessariamente de haver força. Dos dois. Dos que seguram cada parte da relação.
Por isso sem a força o amor por si só não basta.
Os tijolos sem a força de quem os carrega e da firmeza do cimento que os une, sozinhos nunca serão uma casa.

Noc Noc. É o Outono!


(e a foto até foi tirada hoje...)

Ninguém lhe dá o devido valor, é o que é.


Primeiro fiquei intrigada, será que o desgraçado tem algum problema de saúde e não sai da casa de banho? É que já é a segunda vez que é levado de lá directamente para a cadeia. Depois percebi, claro. É só uma questão de higiene, que deve ser rapazinho para levar essas coisas muito a sério. Ai é para fazer merda? Por favor, onde é o WC mais próximo que já não me aguento mais?


George Michael encontrava-se numa casa-de-banho pública, na posse de drogas entre as quais poderia constar cocaína, diz a generalidade da imprensa inglesa. Em 1998, George Michael foi detido por conduta indecente numa casa-de-banho de Beverly Hills, nos Estados Unidos.


(Z)Indiana Jonez


..."o diamante com as armas do rei de Portugal, por debaixo da cruz, na jóia que D. Sebastião traz no peito, no retrato que está no K. museum em Viena. Deu-me um trabalhão enorme descobri-lo, é o Sancy, que está no Louvre hoje em dia."

O Z à caça dos diamantes famosos que passaram por Portugal. O resto da história ele prometeu contar.

Regresso às Aulas

É Outono, brilha o sol, os botões de flores abrem, os passarinhos fazem os ninhos, andamos todos alegres de tops... Parece que há umas inundações não sei onde, aqui no litoral centro/sul não.

Lisboa, pronto.

Setembro é sempre o início do ano para mim, por isso em vez de andar a pagar e não ir, lá recomecei as idas ao ginásio " mens sana in corpore sano". As minhas desculpas de saúde esvaíram-se com os resultados das análises, saúde a toda a prova, nada de colestrol malvado nem outras maleitas. Deve-se de certeza à minha alimentação. que afinal, é a correcta . O nutricionista Jonny Bowden, que afirma que "naõ cozinho muito bem. Ok, na verdade não cozinho nada." de 62 anos e ar de 50, diz que tudo o que o corpo precisa pode ser encontrado na comida (?) e baseado em sete alimentos (publicados na British Medical Journal, por um cientista colombiano) que comidos regularmente, melhoram a saúde cardíaca e os índices sanguíneos, escreveu um livro de 60 receitas saudáveis com:

PEIXE, VEGETAIS, FRUTA, ALHO, CHOCOLATE PRETO, FRUTOS SECOS E VINHO.

Aha! Ao que ele junta feijões , esparguete, frango e pouca carne (biológica). Tal qual eu! (SÁBADO, nº 229, 18 a 24 Set 2008, pag. 32). E o maior erro são os açúcares, um pouco de manteiga nos bróculos e repolhos não faz mal nenhum.

Adiante, fui de carro para o ginásio (ok, é dia sem carros em Lisboa, aqui é Loures...) pensando que a aula era ao meio dia, mas era às 12h 30 e fui levada por um dos carrascos para a sala de cardio-fitness (odeio) para andar 20 minutos de passadeira...

A seguir, já feito então o aquecimento, fui para GAP Express e ABS Express, onde 8 senhoras de ar resignado se encontravam. Nem queiram saber o que isso é, mas o filme Ben-Hur veio-me várias vezes à memória, com as chicotadas psicológicas da professora "só faltam 15! Respirem!", e "Dói-lhe o ombro? Corta-se o ombro! " que devem aprender na escola de motricidade...

O carro foi muito útil para voltar para casa, afinal são uns 150 metros... e ainda me falta o Spinning e o ABS exp. na 5ª.... Mas estou toda bem disposta. Olá.

Estou aqui com umas dores que não me mexo.

As carícias aliviam a dor, ajudam na socialização das crianças e a tornar mais eficazes os tratamentos contra a depressão. Esta é a conclusão de um estudo apresentado, esta semana, no Festival de Ciências da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, em Liverpool, que demonstrou que «o poder das carícias» não é uma crença sem fundamento científico, noticia o jornal Clarín.

Segundo o neurologista britânico Francis McGlone, um sistema de fibras nervosas da pele responde às carícias e quando é estimulada pode diminuir a actividade dos nervos que alertam para a sensação de dor.

Os cientistas descobriram que também há fibras que respondem a estímulos de prazer e quando são estimuladas a actividade das fibras condutoras de dor diminui. De acordo com a investigação, tal como com a dor, algumas partes do corpo são mais sensíveis às carícias do que outras.

Não há mal que sempre dure nem fome que não dê em fartura

Os bombeiros de Albufeira estão desde as 01:40 de hoje a acorrer a pedidos de auxílio na baixa da cidade, inundada devido às fortes chuvas caídas de madrugada, disse à Lusa fonte das autoridades.

As chuvas provocaram inundações em lojas e caves daquela zona, onde existem numerosos bares, mas até agora não há notícia de danos de monta, referiu fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro.

2ª feira


Flash back

Se há coisas com que nunca aprendemos há outras que nos servem de emenda. Dessas tenho duas ou três na minha vida, que das outras é continuar a bater nas paredes sem nunca perceber que lá estão. Parece que as paredes são muito atreitas a movimentos escorregadios e nunca se sabe muito bem para onde se vão mexer a seguir.
Mais, muito mais de vinte anos atrás. Dia dos meus anos. Eu em casa, dos meus pais, pois claro!, que devia ser fim de semana e também telefone só mesmo lá, e ele em Lisboa. O telefonema de parabéns chegou tarde, muito tarde, e durou um minuto, foi assim a despachar e ficou feito. Fervi na pouca água que ainda me restava e deixei as contas para serem aceertadas nas férias de Carnaval que estavam mesmo a rebentar. Era mais dia menos dia.
Foi rápido, muito rápido. Das palavras exactas não me lembro, mas não mudei assim tanto e posso imaginar. Mau feitio é mau feitio e há coisas que não se desculpam. Muito menos se perdoam. Ficou tudo resolvido em frente à casa da Lili, poucos metros depois de ter saído da minha, e foi de vez.
Também já não me lembro quantos dias depois falei com ela, mas sei o que ela me perguntou - se ele tinha conseguido dar-me os parabéns no meu dia de anos.
Ela era minha amiga e era também namorada do amigo dele e mesmo antes de eu responder explicou a pergunta. Naquele dia tinha chegado manhã cedo para os acordar, ao meu e ao dela, para irem para as aulas, e era meio do mês e era dia dos meus anos e estavam todos tesos. E ele, o que me telefonou rapidinho rapidinho, assim que acordou acendeu o cigarro do costume, olhou para os trocos na mesa de cabeceira e disse que com aquilo tinha de almoçar, comprar cigarros e telefonar à Teresa.
E sim, conseguiu inventar moedas para me telefonar. E sim também, aquele telefonema de fugida pareceu-me tudo menos um não me esqueci e queria falar contigo e, como tal, a factura foi cobrada. E passado recibo, com os selos todos e moradas de ida, sem volta, mesmo que às voltas tenha ficado eu.
E sim, outra vez sim, quando me chegou o porquê e percebi que havia outra razão para o olá já fui que se acabou o tempo e não há mais trocos para meter na ranhura que não perdoa nem faz favores, porque nalgumas coisas sou muito lenta de perceber, o meu sangue na guerla já tinha tornado a fazer asneira e não havia volta a dar, que pedir desculpa nem morta e a morada de ida estava escrita em letras bem grandes e com tinta indelével.

Nem sempre a vida nos dá a oportunidade de acertarmos contas connosco, mas hoje tive essa sorte. Também hoje fui despachada a correr com promessas vagas de um já te ligo que tardavam em ser cumpridas. E também hoje o sangue me ferveu na guelra, mas apesar de ter atingido a mesma temperatura, e tão rapidamente como, não causou estragos de maior. É que há algumas coisas de que não nos esquecemos, e eu não me esqueci de como um telefonema de um minuto pode vir de moedas que se inventam se muito se quer e não tem de ser um cumprir de calendário que se despacha num impulso.
Hoje ouvi como se carrega um telefone com uns cabos de uma máquina fotográfica e se trocam fios e se qualquer coisa, que nem ouvi porque era o que menos me interessava, para se poder mandar uma curta mensagem de já te telefono. E mesmo que o já demore uma eternidade e o sangue vá fervendo no entretanto, aquelas moedas tiradas do almoço e dos cigarros podem não ter servido de nada a um outro ele, mas foram muito úteis para mim que nunca mais me esqueci delas.
E agora já não escrevo moradas sem volta em frente à casa da Lili. Agora encanto-me com fios trocados num cabo que carregou um telefone para eu poder ter um já te ligo.

Domingo

Ao domingo almoça-se com a família. Têm saudades dos netos ? Aqui estão eles, prontos para as lutas de almofadas com as do sofá da sala e os seus patins em linha para patinarem no corredor...
Mas hoje estava sozinha, e fui até lá morder o ambiente, que não me pareceu muito propício para a minha felicidade. A mãe queixava-se das costas (ups, ainda será da queda que deu em Julho quando saiu do jipe de cabeça?) e a mana com ar de inquisidora de centro de emprego, à espera dos carimbos que comprovem que entreguei pelo menos dois CVs.
Arrepiei caminho e fui ter com a amiga de Benfica, que vive perto do Colombo com os pais que tinham ido passar o fim de semana à Merdaleja (como ela chama carinhosamente à terra dos avós). Almoçámos um cozido na esplanada do café (só meia dose) e pensámos ir ao cinema, mas ela já tinha visto o que eu queria ver (estas solteiras estão sempre no cinema...) e a Feira da Luz pareceu-nos dejà vu, por isso fomos tomar café às Docas.
O ambiente era totalmente surreal. Depois do sol, chegamos ali e está um frio, um nevoeiro, que nos encarapinhou logo os cabelos, mas o café era mesmo à beira rio e ficámos um pouco.
Ter amigas antigas leva-nos a temas antigos, e começámos a falar de pessoas que não víamos há anos e que faríamos se aparecessem ali, naquele momento. Uns eram indiferentes, outros suscitavam reações tipo "olha o rio aqui ao pé...". É aquela do "só esquecêmos aqueles que não amámos o suficiente para odiar" e " o contrário do amor não é o ódio mas a indiferença." Pois.
E se fosse hoje, voltávamos a fazer o que fizémos? Muitas coisas não, outras que não fizémos fazíamos. Mas não vale a pena pensar muito nisso. Continuamos a viver as nossas vidas, ela diz que vive a sua por interposta pessoa, e que é sempre um prazer ouvir-me, e que como na Letra L eu devia escrever um livro sobre mim e amigas, que seria de certeza um best seller. Mas que mude os nomes de forma convincente, por favor. E publique sob pseudónimo "Skysurfer" ou assim....

Pelo sim, pelo não.

Nos últimos tempos, em duas conversas diferentes, com duas gaijas diferentes, ouvi a mesma frase .."e depois eu estava por cima dele e..." .
Se uma das conversas encarreirou imediatamente, que afinal tinha sido só uma mera localização espacial, a outra cumpriu a ameaça e seguiu para bingo, numa detalhada descrição de quem fez o quê, como, onde, com todos os pormenores devidamente ilustrados e uns tás a ver? intercalados para não correr o risco de eu perder qualquer detalhe mais importante..
Não sei como é com o resto das gentes, mas eu faço minhas as palavras da gaija do norte e corto as tentativas de descrições mais entusiasmadas com um "poupa-me os pormenores" que se pretende esclarecedor.
Mas nem sempre este pedido é ouvido, que normalmente quem conta não ouve, e lá levo eu com os diferidos e os simultâneos, as frases sussurradas ou os gritos não contidos, a côr do tecto ou o vá lá só desta vez, os ca noijo e os gosto muito, as horas ou os minutos e tudo, tudinho o que foi feito e que devia ter ficado assim, na memória de quem lá esteve e na ignorância de quem não viu nem pediu para ver. Um pretérito, perfeito, mais que perfeito ou uma verdadeira nódoa, mas verbos que não são para ser conjugados na terceira pessoa, e muito menos adjectivados.
Não é pudor meu, mas só uma questão de higiene mental. É que se me querem impressionar, esqueçam, que para isso nada como ver ou ouvir verdadeiros profissionais, porque o resto parece-me sempre como se o padeiro onde costumo ir resolvesse olhar-me nos olhos e largasse um grandiloquente We always have Paris!
E depois, quando as duas partes são nossas conhecidas mas só uma é dada a estes relatos da bola, é quase irresistível olhar para a outra, enquanto delicadamente nos abre a porta do carro, e pensar um com que então és muito delicado.... ah pois és!, mas pelo que parece só quando estás assim agasalhadito, que se te arrepia a pele é um vê se te avias...E é sempre desagradável soltar umas gargalhadas em público sem poder explicar porquê.
Mas pior, muito pior que isto, são as voltas da vida. Nunca se sabe o que nos sai na rifa e se calha a já trazer curriculum e bula pode ser verdadeiramente desastroso. Nestas coisas da quimica basta uma ligeira alteração na composição das partes e os efeitos do produto são completamente diferentes. E se se cai na asneira de seguir as indicações não pedidas mas ouvidas ainda assim, pode dar asneira da grossa e perdermos a possibilidade de usufruir de um imenso manancial de efeitos secundários.
Por todas estas razões e mais algumas não me vou nunca cansar de pedir para me pouparem os pormenores!

Ponto da situação

Domingo, nove da manhã e acordo com o cheiro a tostas, as gargalhadas, os cães a ganir e a música irritante da Wii. Apesar de tudo não é mau, que durante a noite o único fenómeno mais estranho foi o idiota do boneco, que a Clara que dormiu comigo insistiu em levar para a minha cama, ter começado a cantar o Abram alas para o Nody no meu ouvido esquerdo. Resolvi com um eficaz estrangulamento e um voo do sacaninha pelo quarto fora até bater com os corn, desculpem, os guizos, na parede do fundo. O resto da miudagem, espalhada pelos cantos da casa, não se atreveu a pôr o pé em ramo verde, mas também ontem, antes de me deitar, fiz vistoria às camaratas e desarmei várias ratoeiras, confisquei as latas de spray mata moscas, garrafas de água, vassouras, sacos de farinha e tudo o mais que tinha sido estratégicamente colocado ao lado dos sacos camas para os ataques nocturnos longamente planeados. As ameaças de amputações, bracinhos partidos e resto da noite no escuro do jardim também devem ter produzido os seus efeitos, que nem para fazer um xixi nocturno tiveram coragem de se levantar.
E a esta hora a manhã já vai longa. Parece que foi por uma unha negra que não apanharam um pato do lago para o almoço - devem achar que eu e o depenava... - e já todos juram que viram um peixe, com mais de cinquenta quilos e vários metros, a esconder-se no meio das canas. Deve ser um peixe de uma espécie rara, porque aumenta e diminui de tamanho consoante a boca que conta a história. Uma das criancinhas, de cabelos loiros e ar seráfico, não larga a tesoura de podar para, segundo ele, cortar as asas ao pato assim que lhe acertar com uma pedrada.
Também já aprendi as várias formas de apanhar passarinhos e os matar com rapidez - o topo da cabeça é mole e com uma palmada bem dada nem piam - soube que as osgas podem viver longos anos, mas esta nem foi novidade que a de rabo cortado, uma tentativa falhada de a apanharmos à mão, continuou a passear-se nas paredes do alpendre por muito tempo, e tenho o número de telefone de um sucateiro para finalmente me livrar de um carro velho que apodrece no meio dos pastos.
Ah, os sacos cama estão todos devidamente dobrados, trataram sozinhos dos pequenos almoços e não fosse terem deixado meio quilo de fiambre em cima da mesa lá de fora, numa oferta caridosa prontamente aceite pelos cães, teria sido tudo perfeito.
Festas só com rapazes. Continuo mais que convencida que são o ideal.

Servidos?

Irresistível

Vem inteirinha para o Cabra a última crónica do Ricardo Araújo Pereira. Demasiado boa para não lhe fazer um copy/paste descarado e publicá-la aqui.

Confesso que, quando a SIC estreou o programa Momento da Verdade, temi o pior. Julguei tratar-se de mais um produto televisivo aviltante, o que me colocaria um problema difícil. Eu vejo pouca televisão, mas nunca perco um produto aviltante. A televisão tem uma capacidade de aviltar que não é ultrapassada por qualquer outro meio de comunicação e por isso constitui, para mim, a principal fonte de aviltamento. Se tomo conhecimento de que há produtos aviltantes nas grelhas, pego nas pipocas e vou para o sofá ser aviltado. Imaginem o meu alívio quando constatei que o Momento da Verdade é, afinal, serviço público, e o programa mais interessante da televisão portuguesa, quer do ponto de vista ético quer do ponto de vista filosófico. Como é óbvio, um produto com estas características não me interessa. Para isso, vou ler livros.

O que o Momento da Verdade vem demonstrar, e de forma fulgurante, é que, mesmo a troco de dinheiro, dizer a verdade nunca é boa ideia. Toma lá esta, Platão. Se houvesse televisão na Grécia Antiga, um certo e determinado senhor teria uns aditamentos a fazer a certas e determinadas obras, não era? Era.

No programa da SIC, o dinheiro que os concorrentes levam para casa, ao contrário do que sucede nos outros concursos, não é, de todo, um prémio: é um suborno. O dinheiro aqui não premeia uma boa acção, um talento, ou uma capacidade; compensa uma falha.

Dizer a verdade, normalmente, é isso: uma maldade.

Vivemos em tempos difíceis, eu sei. Se não estivéssemos em plena crise acredito que ninguém estaria disposto a trair a sua consciência e tudo o que acredita ser decente e honesto, para ir à televisão fazer uma coisa condenável como dizer a verdade a troco de um punhado de euros. Mas é em tempo de crise que se aprendem as maiores lições, e esta é das mais pedagógicas. Momento da Verdade recorda-nos que a verdade é um bem precioso, demasiadamente precioso para se partilhar com toda a gente. Como tudo o que é precioso, devemos guardá-la bem, e mostrá-la ao menor número de pessoas possível.

O ideal é deixá-la escondida num sítio ao qual nem nós tenhamos acesso. O mérito de Momento da Verdade é que nos lembra tudo isto num tempo em que a verdade parece gozar ainda de um prestígio incompreensível. Todos os dias ouvimos a verdade ser gabada. Que a verdade é para ser dita. Que a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima. Grande coisa. Sabem o que é que também anda sempre à tona? O cocó.

A descoberta da pólvora.

A melhor festa de anos das minhas filhas. Ainda não acabou, mas até consigo blogar e tudo.
Descobri, sem querer, a receita certa. Único adulto na casa - eu. Únicas meninas - as minhas filhas. Rapazes? Muitos.
Depois é simples: mantê-los alimentados, que precisam de pouco mais. Não tenho de andar a apajar paizinhos e mãezinhas chatos e muito menos a resolver birras de meninas. A casa manteve-se arrumada que passaram o dia todo lá fora e se resolveram brincar aos piratas e conquistar a ilha do lago não sei, não vi, só me contaram. Quando começou a chover não foram experimentar a minha maquilhagem nem calçar os meus sapatos - sensatamente foram para a piscina.
(Pequena interrupção para pôr betadine numa barriga e num joelho, resolvido rápidamente e sem grandes gritinhos...)
Agora jogam às escondidas lá fora, avisados pela Francisca para não irem atrás dos meus conselhos e levarem os telemóveis nos bolsos - costumo telefonar-lhes... - enquanto esperam por mais um suplemento alimentar. Pacífico, tudo pacífico. Os rapazes, mesmo que de pouca idade, já estão no caminho certo para serem verdadeiros homens - simples, sem mais ambições que não seja a satisfação das suas necessidades básicas e muito, mas muito menos complicados que as meninas.

Somos mesmo assim, gostamos de ler ouvir e contar

Hoje a Xica faz anos (PARABENS miuda). Sabemos disso aqui, sabemos que tem bolo que recebeu muitos parabéns de todos nós e que deve ter recebido muitos mais lá na escola.
Sabemos que o A. também fez anos e que vai ter festa e que vai haver bolo e sabemos nas ligações daqui que o mano velho já tem trabalhos enquanto a mãe ajuda e vigia, sabemos que alguns bolos feitos para este tipo de comemoração são de bolacha, outros são tesouros difíceis de transportar.... Outros são só gulosos e não sabem barrar.
Muitos já sabem que amanhã também tenho uma festa e mais bolos e mais celebrações e mais momentos alegres.
Gostamos disto, de estar felizes e espalhar essa felicidade, como gostamos de receber uns mimos quando as coisas não correm tão bem e lá aparece um ombro que apoia. Gostamos de partilhar os momentos da nossa vida. De aprender com os outros momentos que aqui se revelam e de sorrir a pensar "que bom". Partilhamos pedaços desta vida que nos acontece no dia a dia e que pelos mais diversos motivos nos mantém longe uns dos outros.
Mas vivemos mesmo à distância a felicidade dos olhos e do riso da Xica, saboreamos os filipinos e ficamos com uma das gomas presa no céu da boca, enquanto lambemos os dedos do chocolate derretido pelo sol.
Os dias são atarefados e nem sempre há tempo para viver mais bons momentos, mas é tão bom vir aqui buscar alguns sorrisos de quem também gosta de ler e contar os seus momentos de alegria...

Pois eu sei que isto não é um blog de gaijas...


(o bolo caixa do tesouro)

Estou farta de bolos de aniversário. Há 13 anos que faço uma média de quatro por ano, quando não é mais. Para cada uma delas é um bolo para a escola e um bolo para a festa. E se a festa não é no dia do aniversário lá sai outro bolo, que jantar de dia de anos sem velas para apagar não há miúdo que aguente. E depois ainda há as amigas que metem a cunha que também querem um bolo feito em casa, mais as festas de anos que vou fazendo por aqui, para mim e para quem por cá passa.
Ontem quando comecei a pensar em tabuleiros, massas, enfeites, seringas com creme de açúcar, chantilly e quejandos achei que nem morta teria coragem para fazer um queque que fosse. O pior é que o pedido estava feito, um bolo para comerem na escola, e eram vinte e oito candidatos e não podia ser dos comprados. Ai não podia? isso é que era uma pena, que eu não estava com veia de pasteleira.
Gaijas, deixo a receita do Bolo Caixa do Tesouro.
Naquele sítio do costume comprem quatro embalagens de waffles, oito de filipinos, maltesers, m&m, várias sacas de gomas e um chocolate preto. Arranjem uma tábua velha e forrem com papel autocolante, pode ser o resto das prateleiras da cozinha, e por cima uma folhinha de papel vegetal por causa dos microbios. Depois é só fazer a caixinha dos legos. Waffles para a base, filipinos para as laterais e molho de chocolate a servir de cola. Os maltesers rematam, os m&m cobrem a porcaria que se fez com os pingos do molho, e as gomas enchem o centro.
Difícil? Sim, bastante. Tenham em conta que se o sol estiver a bater no vidro do carro nem o ar condicionado vos vale, que o transporte para a escola é complicado. Aquela coisa derrete mais depressa que o nosso tubarão. E se pensam que lá por terem chegado com tudo mais ou menos no sítio é razão para um suspiro de alívio, esqueçam. Ainda falta atravessar uma escola, à hora de almoço, com hordas de pequenos monstros esfomeados a saltarem de tudo o que é sítio levando nós na mão um bolo carregado de gomas. Recomendo, seriamente, que peçam emprestada ao z a espada do bisavô, porque eu estou viva e o bolo safo, mas foi preciso distribuir muita canelada.

Parabéns Francisca

Pré-adolescente, nunca tenhas medo de dizeres o que pensas...

Cabra Jr

a fazeres aniversário de capicua tens direito a post.

Parabéns, filha. E obrigada por tudo.

Ontem à noite dei por mim de cabeça ligeiramente inclinada para cima para lhe conseguir olhar a cara. Estávamos as duas na cozinha a despedirmos-nos dos dez anos dela, e eu, que há muito sabia que ela era grande, senti-me, pela primeira vez, pequena.
E ela é grande em tudo. Até na forma como se mete pelas nossas vidas dentro e as vira do avesso, sem nos dar tempo para pensar, muito menos para dizer o que quer que seja. Faz hoje onze anos que nasceu e cada vez mais me convenço que foi ela que puxou os cordelinhos, que foi ela que decidiu que era altura de sair lá do limbo onde estava, nos voltou a juntar a mim e ao pai para nos trocar as voltas na volta daquele ano a estrear.
Desde o princípio que ditou as regras com o ar de enorme gozo de quem sabe distribuir o jogo e ficar com as cartas que ganham, como se isso fosse tão fácil para nós como é para ela. E ri-se, ri-se sempre.
Passou três meses, três meses certinhos, nem mais um dia nem menos um, a crescer dentro de mim sem dizer um ai. Quietinha, caladinha, não estava para ninguém. Escolheu o dia 1 de Abril para se dar a conhecer ao mundo, para nos dizer a todos enganei-vos, estou por aqui e preparem-se que vou chegar. A sacaninha até com isso brincou, que fazer-me pegar num telefone, no dia 1 de Abril, para um olá sou eu, estás bom? é só para dizer que vais ser pai outra vez, foi só a primeira das muitas partidas que me pregou. E tenho a certeza que já se estava a rir com os olhos, tal qual o faz agora.
Dias depois, muito poucos dias depois, voltou a mostrar-me que estava ali e que quem decidia era ela. O prazo para a amniocentese estava a acabar, tinha de ser feita depressinha e eu ainda nem tinha tido tempo para perceber que estava grávida quanto mais para pensar em todas as decisões que tal poderia implicar. A Clara tinha dois anos e eu tinha, muito frescos ainda, dias e noites de sofrimento imenso. Sabia que me era física e mentalmente impossivel passar por tudo outra vez. Não era a trissomia que me assustava, nunca foi, era a guerra da vida e da morte, eram os meses de hospital sem saber se a minha filha aguentava mais umas horas, era a certeza de que não iria resistir se tivesse de passar pelo mesmo. Fui para a sala de exames com a decisão firme de que abortaria imediatamente se me dissessem que havia problemas. Fiz os médicos garantirem-me que não haveria desculpas, nem filas de espera, nem conversas transcendentais - era feito e pronto.
Não, não era. Assim que os monitores de vídeo se acenderam eu, que sempre que olhei para eles só vi candeeiros de lava e nunca consegui perceber o que quer que fosse, nesse dia, e no que estava bem na minha frente, vi uma mão minúscula, aberta, como que num aceno de olá cheguei e daqui não saio pára lá com as parvoices e aguenta-te à bronca se tiver de ser.
Já não me lembro quanto tempo passou até a minha irmã me telefonar para dizer que tinha os resultados e estava tudo bem, mas também já não era importante. Fosse como fosse aquela mão já tinha tomado as decisões todas por mim.
E há onze anos atrás, no dia em que nasceu, confirmei o que já sabia - aquele nariz não iria nunca passar despercebido. E li a sina, a nossa, que a ela desde que deu o primeiro berro vejo-a a descer a Avenida da Liberdade, num primeiro de Maio qualquer, segurando um enorme cartaz a contestar seja o que fôr.
É a Francisca, faz hoje onze anos, e é maior que eu. Muito maior. Por dentro e por fora.

Acabou o recreio.

Os dentes do siso. Tenho lido os últimos posts e pensado nos dentes do siso. Aqueles que teimam em continuar a nascer mesmo que já não sejam precisos para nada, excrecências de outras eras em que as febras eram rijas e os tendões duros e trincar carne era uma coisa séria.
Até chegarmos nós e descobrirmos a cozinha. E a carne cozinhada é boa de comer, os dentes que moíam já não são precisos, os enormes músculos dos maxilares que rasgavam os bifes reduziram de tamanho, o cérebro teve espaço para se alargar e o homo passou a sapiens. Tudo isto porque nós, as gaijas, começámos a cozinhar.
Agora que até já temos temperos e para além disso fazemos mais duas ou três coisitas, os gajos esperam o quê? Que lhes ofereçamos no natal uns livros de cozinha para perceberem como se fazem as coisas que realmente interessam?
Penso nos dentes do siso quando ouço falar no cérebro do homem.
Perfeitamente dispensável, hoje em dia, mas continuando a dar um ar de sua graça até que a natureza acerte o passo com o passo que nós já lhes acertámos.
Cérebro de homem? Dentes do siso. Nada mais que isso.